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Lua: curador registra asteroides atingindo o satélite – 10/11/2025 – Ciência

Lua: curador registra asteroides atingindo o satélite - 10/11/2025 - Ciência

Na semana passada, alguns telescópios capturaram algo colidindo com a Lua. Depois, no fim de semana, um segundo objeto também atingiu a superfície lunar.

Os dois episódios foram um lembrete de que o satélite natural da Terra não é um apenas corpo celeste sereno que vemos nos céus noturnos, e sim um objeto que constantemente ganha novas crateras.

Os dois impactos foram detectados por Daichi Fujii, curador do Museu da Cidade de Hiratsuka no Japão, que mantém seus telescópios apontados para a superfície lunar. Na quinta-feira (30), ele avistou um breve clarão luminoso na escuridão. Então, no sábado (1º), “eu capturei outro brilhante”, afirmou ele.

Esses clarões resultaram de asteroides colidindo com a superfície lunar.

Sem uma atmosfera para desacelerá-las, essas duas rochas espaciais atingiram o solo a até 96 mil quilômetros por hora, cerca de 30 vezes mais rápido que um caça.

Os tamanhos dos objetos são desconhecidos, mas mesmo um asteroide com apenas alguns metros de comprimento viajando a essa velocidade liberaria uma explosão equivalente a um modesto estoque de dinamite —uma tempestade de fogo fugaz que pode ser vista a centenas de milhares de quilômetros de distância da Terra.

Tais impactos são importantes para os astrônomos, que os utilizam para determinar com que frequência a Lua é atingida por asteroides menores. Assim, eles podem refinar suas estimativas sobre quantos asteroides maiores existem —o tipo que pode atravessar a atmosfera do nosso planeta com efeitos potencialmente devastadores.

Fujii, um entusiasta da astronomia, está encantado pela natureza sempre mutável do céu noturno. “Quero que o público aprecie a ciência”, disse ele. E uma maneira de fazer isso é mostrar a esse público com que frequência o satélite é golpeado por “mísseis” rochosos.

Ele usa telescópios em dois locais —nas cidades de Fuji e Hiratsuka— para manter um olho atento na Lua. Um software detecta automaticamente movimentos e explosões na superfície lunar.

O sistema tem funcionado: desde 2011 ele documentou em torno de 60 impactos lunares. Ver dois impactos consecutivos, no entanto, é incomum.

O primeiro clarão, na quinta-feira, surgiu a leste da cratera Gassendi, cuja largura é de 113 quilômetros. O segundo apareceu a oeste do Oceanus Procellarum, ou o oceano das tempestades, uma planície de 2.575 quilômetros de comprimento preenchida com magma cristalizado.

Às vezes, os clarões na Lua são frutos de ilusões: raios cósmicos que aparecem como estranhas faíscas em telescópios. Seriam esses dois clarões genuínos?

Procurada, a agência espacial americana disse que não poderia comentar. “A Nasa está fechada devido à falta de financiamento governamental”, respondeu um porta-voz, por email. Os observatórios de defesa planetária financiados pela agência continuam operando durante a paralisação do governo federal.

Os telescópios da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) não viram os clarões, pois a Lua estava muito brilhante quando vista da Europa no momento em que ocorreram. Mas, como vários telescópios no Japão captaram os mesmos brilhos de diferentes ângulos, é fácil classificá-los como impactos de asteroides.

“Esses flashes de impacto parecem reais”, afirmou o engenheiro aeroespacial Juan Luis Cano, do Centro de Coordenação de Objetos Próximos à Terra da ESA. “O que me chamou a atenção é que ambos parecem estar um pouco acima da média em termos de tamanho do flash”, acrescentou ele, sugerindo que podem ter sido impactos mais energéticos do que o normal.

A origem desses asteroides não é certa. Mas Fujii suspeita que possam ter partido da chuva de meteoros Taurídeos, que provém do cometa Encke.

Os Taurídeos, que atingem seu pico neste mês, são conhecidos por apresentar meteoros maiores que a média e que se movem em velocidades altas. Não seria surpreendente, então, se alguns colidissem com a Lua em vez de se extinguirem na atmosfera da Terra.

Fujii espera que sua vigilância ajude a melhorar a segurança lunar. Tanto agências espaciais quanto empresas privadas estão buscando tornar a Lua um lugar habitado —algo não isento de riscos, incluindo possíveis impactos de rochas espaciais.

“Compreender a frequência e a energia dos flashes de impacto pode ser usado para informar o design e a operação de bases lunares”, afirmou ele.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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