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Lua: sobrevoo da Artemis 2 deve ter apagão e eclipse – 04/04/2026 – Ciência

Lua cheia visível no centro de um céu completamente escuro, sem nuvens ou estrelas ao redor.

A caminho da Lua, a tripulação da Artemis 2 pretende sobrevoá-la na próxima segunda-feira (6). Esse momento, um dos principais da missão, oferecerá aos quatro astronautas uma visão privilegiada do satélite, de polo a polo, e a oportunidade de apreciar um eclipse solar. Na passagem, haverá um apagão de 40 minutos na comunicação com a Terra.

A missão começou na quarta-feira (1º), quando o foguete SLS partiu do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, Estados Unidos. No voo, estão os americanos Reid Wiseman, 50, Victor Glover, 49, Christina Koch, 47, e o canadense Jeremy Hansen, 50.

Na quinta-feira (2), a cápsula Orion, na qual o quarteto viaja, deixou a órbita terrestre e iniciou o caminho rumo à Lua. Neste sábado (4), segundo a Nasa, a espaçonave já havia ultrapassado metade da trajetória em direção ao satélite.

“Todos nós tivemos uma expressão de alegria naquele momento… Podemos ver a Lua pela escotilha de acoplamento agora. É uma visão linda”, afirmou Christina Koch, 47, especialista de missão. A astronauta é a primeira mulher a fazer uma jornada lunar.

A expectativa é que os astronautas cheguem ao destino na segunda-feira. Estima-se que será possível um período de seis horas para os astronautas observarem o satélite.

Os astronautas terão como tarefa fotografar e descrever características das formações lunares, a exemplo da bacia Oriental, e antigos fluxos de lava. O controle da missão indicará a eles as formações geológicas que estarão visíveis durante o sobrevoo. As informações colhidas, segundo a Nasa, podem vir a subsidiar pesquisas sobre a superfície do satélite.

Houve um treinamento específico para essas atividades. Os astronautas aprenderam, por exemplo, a identificar ao menos 15 formações no solo lunar. Dessas, segundo a Nasa, a tripulação conseguirá ver ao menos cinco delas, independentemente do ponto onde estiverem e da iluminação no momento. Assim, poderão se orientar.

“Ao observarem os mesmos alvos mais de uma vez durante o sobrevoo, eles poderão fazer observações sobre o mesmo alvo em diferentes condições de iluminação que levariam dias, meses, semanas ou anos para algumas espaçonaves acumularem”, explicou Kelsey Young, líder da diretoria de missões científicas da Nasa em uma entrevista na noite deste sábado.

“E o fato de que eles poderão ver isso em questão de algumas horas pode ajudar a nos aprofundar em algumas das questões científicas lunares de maior prioridade”, acrescentou ela.

“Uma das coisas fascinantes sobre os processos na superfície lunar, especialmente as crateras, é que eles podem lançar material por centenas, senão milhares de quilômetros através da superfície”. A Artemis 2, segundo Kelsey, estará em um ponto único para acompanhar esses processos.

A tripulação também deve ter a oportunidade de ver cerca de 20% do lado oculto (nunca visível da Terra e também chamado de lado afastado). Até hoje, só a China pousou uma sonda naquela face lunar.

Algumas partes do lado oculto, diz Kelsey, nunca foram vistas por olhos humanos. As missões Apollo, realizadas entre 1968 e 1972, priorizaram lançamentos em momentos em que o lado próximo (sempre voltado para o nosso planeta) estava iluminado —foi nesse lado, aliás, onde pousaram.

“Então, quando os astronautas da Apollo orbitavam a Lua, eles passavam pelo lado oculto, mas ele não estava iluminado naquele momento. Eles também voaram muito mais perto da Lua do que a Artemis 2 voará, e por isso o campo de visão do horizonte de suas espaçonaves não permitia que vissem os polos”, afirmou Kelsey.

Nas viagens do programa Apollo, os astronautas passaram a 112 quilômetros do solo lunar, pouco mais que a distância da cidade de São Paulo até Campinas, no interior paulista.

A Orion, por sua vez, voará a cerca de 6.500 quilômetros da superfície lunar no ponto de maior aproximação, segundo o plano da Nasa. Essa distância deve permitir que os astronautas apreciem o disco inteiro do satélite, de polo a polo.

Quando o sobrevoo estiver chegando ao fim, é esperado que os astronautas presenciem um eclipse solar. A Orion, a Lua e o Sol devem se alinhar, fazendo com que a estrela se posicione atrás da Lua por um intervalo estimado de uma hora, de acordo com a Nasa.

Kelsey afirma que os astronautas poderão fazer observações únicas sobre a atividade do Sol naquele momento. “Incluímos orientações para que descrevam as características na coroa solar.”

Ainda em meio à passagem pelo lado oculto da Lua, haverá um apagão. Ao longo de 40 minutos, os sinais de rádio devem cair. Mas isso é esperado, diz a Nasa, e também foi visto nas missões Artemis 1, no fim de 2022, e do programa Apollo.

Após o sobrevoo, haverá uma reunião entre a tripulação e especialistas da Nasa em terra para que a agência possa extrair o máximo de informações dos astronautas acerca do que viram.

Se tudo sair como planejado, durante o sobrevoo os astronautas devem bater um recorde: os seres humanos a atingir a maior distância do nosso planeta. A previsão é que eles fiquem a cerca de 406 mil quilômetros da Terra, em torno de 6.000 km a mais que os 400 mil quilômetros registrados pela Apollo 13, em abril de 1970.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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