Em entrevista ao UOL na quinta-feira (5), Lula falou em dois momentos que Alckmin pode disputar a eleição em São Paulo.
O presidente disse que seu grupo político tem condição de ganhar a disputa eleitoral no Estado e citou Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT)como opções. “Eu ainda não conversei com Haddad, não conversei com Alckmin, mas eles sabem que têm um papel a cumprir em São Paulo”. Lula foi questionado sobre a participação de Simone Tebet e só depois da pergunta citou o nome da ministra. “A Simone tem papel a cumprir”, afirmou, dizendo que também não falou com ela sobre qual cargo deverá disputar neste ano. Em outro momento, o presidente voltou a colocar Alckmin no radar da disputa paulista. “Acho que a gente pode ganhar as eleições em São Paulo se a gente escolher o candidato a governador, o Alckmin ou o Haddad, a Simone Tebet…A gente pode ganhar a eleição.”
Vice-presidente e ministro, Alckmin foi governador de São Paulo por quatro mandatos, quando estava filiado ao PSDB, e é cotado para concorrer ao governo paulista ou ao Senado.
O PSB nacional mantém a aposta em Alckmin como vice de Lula na disputa pela reeleição e afasta a possibilidade dele deixar o cargo para concorrer em São Paulo. A dirigentes do partido, o vice-presidente tem falado que não quer deixar a vice-presidência e que não disputará nenhum cargo no Estado. A avaliação de lideranças do PSB é que a disputa contra o governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos)será muito acirrada e que o vice-presidente poderá perder parte de seu capital político com uma eventual derrota.
A direção do PSB avançou na negociação com a ministra Simone Tebet para que ela deixe o MDB e filie-se ao partido para concorrer ao governo paulista ou ao Senado. A ministra tem demonstrado interesse em concorrer a uma vaga de senadora, mas disse que aceita dada por “missão” de Lula, se for preciso concorrer ao governo paulista.
Na avaliação de dirigentes nacionais e paulistas do PSB ouvidos pela ValentiaSimone Tebet seria a melhor opção ao governo estadual, por ser um nome novo, com bom diálogo com o empresariado e o agronegócio e por ter a possibilidade de “surpreender” nas urnas. Segundo um integrante do comando do partido, mesmo se a ministra for derrotada por Tarcísio, “Simone perde ganhando e pode sair gigante” da disputa paulista.
No entorno do governador Tarcísio de Freitas, lideranças da base aliada apontam uma movimentação do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassabpara se descolar do bolsonarismo e negociar uma eventual composição com Lula, ficando na vice do presidente. Kassab, nesse cenário, seria uma espécie de fiador de Lula junto ao campo conservador e um aceno do presidente ao empresariado e ao mercado financeiro, assim como foi Alckmin em 2022.
O PSD tem ministérios no governo Lula e Kassab já afirmou que não pretende atacar o presidente na disputa presidencial. O dirigente do PSD, tem dito que o partido terá candidato próprio à Presidência e cita os nomes dos governadores Ratinho Junior (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás) como opções.
O MDB ainda não definiu quem apoiará na disputa presidencial. O partido tem três ministérios e parte dos diretórios estaduais está alinhada com o governo Lula. Dentro do partido, são cogitados para a vice-presidência o governador do Pará, Helder Barbalhoe o ministro dos Transportes, Renan Filho. A legenda, no entanto, é marcada por divergências regionais e diretórios como o de São Paulo, que está alinhado com Tarcísio de Freitas, resiste em apoiar Lula.
O comando nacional do PT diz que Lula é quem definirá seu vice na chapa pela reeleição.
Fonte ==> Exame