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Mais tarefas domésticas, salário menor – 09/10/2025 – Opinião

Trabalhador com capacete vermelho, óculos de proteção e cinto de segurança coloca placa vermelha com aviso de área não liberada em estrutura de obra coberta por tela verde. Céu azul ao fundo.

Dados do Censo 2022 divulgados nesta quinta (9) somam-se aos de outras pesquisas para evidenciar o impacto da maternidade nos salários das mulheres —algo que não tem sido levado em conta como deveria na formulação de leis e de políticas públicas.

Há mais mulheres com curso superior (28,9%) do que homens com o diploma (17,3%) no país. Entretanto o rendimento médio mensal delas (R$ 4.591) é 37,5% menor do que o deles (R$ 7.347). Em todos os níveis de escolaridade elas ganham menos; no universitário a diferença é maior.

Também verifica-se disparidade salarial quando são consideradas as áreas de atuação. Só em três delas pessoas do sexo feminino recebem mais do que as do masculino: construção (R$ 3.326 ante R$ 2.119), indústrias extrativas (R$ 5.161 ante R$ 4.489) e transporte, armazenagem e correio, onde a média delas é só R$ 10 maior, com R$ 2.597.

Nesses setores, mulheres são clara minoria —apenas 3,6%, 14% e 9,3%, respectivamente. Naqueles em que a discrepância de rendimentos é maior em favor dos homens, elas são maioria.

Na educação, mulheres representam 77% dos trabalhadores e têm remuneração de R$ 3.512, enquanto homens recebem R$ 6.627. Em atividades financeiras e seguros, onde 52% dos profissionais são do sexo feminino, a média dos homens é de R$ 7.763, e a delas, de R$ 4.596.

Fator essencial para essa diferença é a maternidade. Mães acumulam o cuidado do lar e dos filhos com suas profissões. Assim, não conseguem se dedicar tanto, por meio de carga horária elevada, ao trabalho e à carreira. Sem a dupla jornada, homens têm maior facilidade de alcançar cargos mais bem remunerados.

Por isso, creches são fundamentais para a empregabilidade das mulheres e a paridade salarial. Mas só 38,7% das crianças entre 0 e 3 anos estavam matriculadas em creches em 2024, enquanto a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de 2014 era 50%.

Ademais, homens têm somente cinco dias de licença-paternidade. O Congresso precisa modernizar a legislação, o que pode incluir uma licença parental compartilhada entre pais e mães.

Uma mudança cultural para que homens dividam as tarefas domésticas também contribuiria decisivamente para um mercado de trabalho mais igualitário.

O problema exige medidas integradas em várias frentes. Apenas leis que obrigam a paridade salarial —como a proposta pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aprovada em 2023— tendem a ser pouco eficazes.

editoriais@grupofolha.com.br



Fonte ==> Folha SP

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