Depois de dois dias de bastante estresse nos mercados globais, diante da crescente percepção de risco com os conflitos no Oriente Médio, hoje a dinâmica é um pouco diferente. Há um ajuste na percepção de risco, com os índices acionários dos principais países em alta, enquanto o dólar devolve parte de sua forte valorização de ontem e segunda-feira. O petróleo, no entanto, segue em alta, ainda que em uma valorização contida, se comparada aos últimos dias.
O que pode ter destravado esse ajuste é a notícia do jornal New York Times de que líderes remanescentes do Irã podem até estar se recusando a negociar o fim da guerra publicamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas agentes do Ministério da Inteligência iraniano teriam entrado em contato indiretamente com a CIA. O jornal afirma que as autoridades americanas estão céticas de que tanto Trump quanto o Irã está realmente prontopara um fim no conflito, mas a tentativa seria uma sinalização importante.
Diante disso, o contrato futuro do S&P 500 e o futuro do Nasdaq tinham alta. Na Europa, a bolsa de Frankfurt a de Londres registravam valorização. Já no mercado de moedas, o índice DXY, que mede a força do dólar contra seis divisas de mercados desenvolvidos, recuava 0,22%, aos 98,829 pontos.
Contra moedas de mercados emergentes há também desvalorização, com o dólar em queda de 0,52% ante o peso mexicano, 0,62% ante o florim húngaro e 0,94% ante o rand sul-africano. Levando isso como referência, é de se esperar que a moeda americana inicie a sessão em queda frente ao real, com depreciação de 0,50% ou mais.
Já no mercado de juros, um alívio nas taxas futuras brasileiras também pode ser observado, diante de uma descompressão no prêmio global de risco. O rendimento do título do Tesouro americano de dez anos seguia em leve alta, saindo de 4,072% para 4,085%.
Além da questão geopolítica, os agentes financeiros irão dar atenção aos dados da economia americana, em dia de divulgação do índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês), referente ao setor de serviços em fevereiro. Além disso, na parte da tarde, haverá a divulgação do Livro Bege pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano). O documento é uma espécie de termômetro sobre a atividade, inflação e mercado de trabalho americano.
No Brasil, a sessão segue sem grandes orientadores, já que o cenário externo tem exercido protagonismo na formação de preços. Os agentes devem continuar atentos ao cenário eleitoral e também a dados secundários, como o fluxo cambial na tarde de hoje.
Fonte ==> Exame