O Governo do Brasil lançou, neste sábado, 30 de maio, a Plataforma Tela Brasil, o streaming público e gratuito voltado à exibição de obras audiovisuais brasileiras. A cerimônia contou com a participação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Educação, Leonardo Barchini, e da ministra da Cultura, Margareth Menezes. O evento aconteceu na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ).
Desenvolvida com tecnologia brasileira pelo Ministério da Cultura (MinC), com apoio da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Plataforma Tela Brasil de vídeo sob demanda consolida-se como política pública estruturante de acesso, promoção, formação e memória do audiovisual brasileiro.
Na cerimônia, o presidente Lula observou que o Brasil vive em todas as áreas, especialmente na Cultura, um momento muito promissor, de reconhecimento e de respeitabilidade internacional. “Os ignorantes não gostam de cultura, porque a cultura ensina. A cultura abre a cabeça, abre horizontes, ela faz a gente enxergar um pouco mais longe, faz a gente enxergar o que antes não era visível para nós”, comentou.
O presidente ressaltou que as políticas públicas em prol dos brasileiros devem ser tratadas como políticas de Estado e estimulou a realização de convênios entre universidades nacionais e internacionais para fortalecer a cooperação e a troca de conhecimentos. Nesta semana, ele participou da abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, em Brasília (DF), promovido pelo MEC, que reuniu 70 reitores de instituições de educação superior.
Lula ainda anunciou uma agenda em junho na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR). “Nós temos uma universidade latino-americana, com currículo latino-americano, professores latino-americanos e estudantes latino-americanos. Vou fazer uma reunião com todos os reitores das universidades da América Latina e do povo brasileiro para que nossas universidades façam convênios”, disse.
Tela Brasil – Os investimentos realizados na implementação da plataforma somam aproximadamente R$ 9 milhões entre 2024 e 2025, e contemplam licenciamento de obras, desenvolvimento tecnológico, acessibilidade, curadoria e gestão do projeto.
O ministro Leonardo Barchini comentou que “o novo streaming é 100% público e gratuito e conta com mais de 500 obras nacionais. O MEC faz parte dessa história por meio da tecnologia desenvolvida pela Universidade Federal de Alagoas. Vamos dar um salto na divulgação audiovisual de milhares de artistas brasileiros, fortalecendo a educação e a cultura do nosso povo”, afirmou.
Com a iniciativa, o Governo do Brasil dá um passo histórico para a soberania cultural e a inclusão digital ao disponibilizar obras audiovisuais brasileiras em uma plataforma pública e gratuita de vídeo sob demanda. O acesso será integrado ao site Gov.br, com o objetivo de ampliar o alcance da produção nacional e democratizar o acesso da população à cultura brasileira.
No primeiro momento, a plataforma estará disponível em versão web, com possibilidade de espelhamento em smart TVs. As versões para Android e iOS serão disponibilizadas em até 30 dias após o lançamento oficial.
A vice-coordenadora do Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais da Ufal (NEES/UFAL), Luciana Santa Rita, observou que a tecnologia utilizada no Tela Brasil foi desenvolvida na universidade e tem soberania nacional. “A gente está falando de política pública baseada em pesquisa e evidência. Eu vejo nesse governo a oportunidade que as universidades têm de desenvolver e serem reconhecidas como capazes de entregar produtos dessa natureza, como o Tela Brasil”, informou.
Perfis – A plataforma contará com dois perfis de acesso. O Perfil Cidadão será voltado ao acesso individual via Gov.br, estruturado em seções organizadas para facilitar navegação e acesso do público aos conteúdos. A estrutura se divide em categorias, gêneros, formatos, busca e minha área.
Já o Perfil Direcionado será destinado à formação de público, debates temáticos, curadorias específicas, com exibições coletivas. O perfil se divide em Rede Exibidora e Escolas, incluindo cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas, museus, escolas, mostras e festivais.
Catálogo – O catálogo inicial reúne 555 obras audiovisuais brasileiras. Serão 139 longas-metragens, 85 médias-metragens ou telefilmes, 267 curtas-metragens e 64 obras seriadas (episódios). As obras selecionadas por edital já contam com recursos de acessibilidade, como audiodescrição, legendagem descritiva e Libras. As demais receberão recursos de acessibilidade, ainda em 2026, por meio de Termo Aditivo firmado com a UFAL.
Entre as obras disponíveis na plataforma estão Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), A Noite do Espantalho (1974), Xica da Silva (1976), Carandiru (2003), Olga (2004), Quase Dois Irmãos (2005) e As duas Irenes (2017). O catálogo reúne diretores como Glauber Rocha, Sérgio Ricardo, Carlos Diegues, Suzana Amaral, Jayme Monjardim, Fábio Barreto, Lúcia Murat e Arthur Fontes.
Democratização – A Plataforma Tela Brasil tem entre suas diretrizes incentivar a difusão do audiovisual brasileiro, destacando os diversos formatos e gêneros; democratizar o audiovisual como linguagem artística e ferramento social, formando pensamentos críticos; promover a história e memória do setor; e visibilizar a pluralidade cultural dos povos brasileiros.
A cerimônia também marcou a assinatura de Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O acordo prevê a adesão da EBC à Plataforma Tela Brasil, com disponibilização de obras audiovisuais do acervo da empresa pública, incluindo conteúdos próprios e licenciados.
As obras poderão ser exibidas gratuitamente tanto no perfil aberto ao público geral quanto em sessões coletivas não comerciais voltadas a finalidades culturais, educativas e institucionais. O ACT também prevê cooperação em integração tecnológica e interoperabilidade entre sistemas, incluindo iniciativas relacionadas ao ecossistema da TV 3.0.
Com vigência inicial de 48 meses, o acordo visa impulsionar iniciativas de inovação e integração tecnológica no setor audiovisual público. Serão mais de 150 títulos com cerca de 3 mil horas do acervo EBC, que inclui programas como Sem Censura; Samba na Gamboa e Xodó de Cozinha.
A EBC também prevê, em acordos futuros, incluir a possibilidade de exibição no Tela Brasil em todos os licenciamentos. A empresa realiza pesquisa e curadoria para buscar no acervo obras como A, B, Z do Ziraldo, realizado pelo cartunista para a TV Brasil; A arte do artista, conduzido por Aderbal Freire Filho; Oncotô, com Jorge Mautner; além de episódios clássicos, como Caminhos da reportagem e Observatório da imprensa.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações do MinC
Fonte ==> MEC