O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), reiterou o apoio à indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para a vaga aberta na corte, ao discursar em São Paulo, nesta segunda-feira (6). Mendonça recebeu um colar da Assembleia Legislativa de São Paulo, durante solenidade que teve a presença de Messias, indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao cumprimentar as autoridades e políticos, Mendonça relembrou sua carreira na AGU e se dirigiu a Messias: “Faço votos de que em breve você possa deixar a AGU por um bom motivo, de estar comigo ali no Supremo Tribunal Federal”. O magistrado já tinha declarado simpatia pela escolha de Messias, que, assim como ele, é evangélico. O escolhido de Lula ainda precisa passar por sabatina no Senado.
Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mendonça fez várias menções a Deus em seu discurso, após receber o Colar de Honra ao Mérito Legislativo. O ministro, que é relator dos casos das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do escândalo do Banco Master, defendeu a imparcialidade do Judiciário e disse que “o magistrado só pode ter um interesse: fazer o que é certo”.
“Este é um compromisso que eu faço: buscar ser imparcial. Não tenho esse direito de prejudicar A e beneficiar B. A missão que me foi concedida não me dá esse direito, seja a missão pública, seja a minha fé. Mesmo sendo imperfeito, eu vou buscar ser imparcial”, afirmou, acrescentando que um juiz não pode “privilegiar amigos nem perseguir inimigos”.
Mendonça também fez uma defesa da integridade na vida pública e disse que “saber o que é o certo” é o primeiro passo para alcançá-la, embora muitas vezes se possa ser “criticado por fazer o certo”. Pastor da Igreja Presbiteriana de Pinheiros (SP), ele disse que também ora por aqueles que o perseguem.
“O bom magistrado e o bom homem público precisa ser íntegro. A sociedade espera credibilidade de um bom magistrado, o que exige de nós um certo grau de recatamento. O magistrado precisa ter um grau de prudência maior”, disse.
“De forma responsável, aceito (a medalha) com gratidão, mas também assumindo o compromisso de que Deus nos ajude a ser homens públicos e, no meu caso, magistrados imparciais, íntegros, que ao mesmo tempo sejam responsáveis e busquem fazer o que é certo, principalmente porque é o certo a se fazer”, concluiu.
O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), uma das lideranças evangélicas do Congresso Nacional, também relatou ter conversado com Messias durante a solenidade. “O senhor é um homem bom, falava ali com o ministro Messias sobre isso”, disse o parlamentar a Mendonça, ao discursar na tribuna.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que Mendonça é “relator dos dois casos mais complexos do país” e que ambos “estão em boas mãos”. “Esses casos estão na mão de alguém que a gente tem certeza de que fará justiça. Não haverá perseguição, com certeza haverá rigor e justiça”, afirmou Nunes.
Mendonça foi exaltado pelo presidente da Assembleia, André do Prado (PL), como alguém com “seriedade, equilíbrio e compromisso com a Constituição”. O deputado disse ainda que o homenageado preza por “fazer o certo pelo motivo certo”, resgatando discurso recente em que o ministro do STF declarou que busca “entender o que é certo, decidir de modo certo e fazer isso pelos motivos certos”.
O deputado estadual Oseias de Madureira (PL), que sugeriu a entrega do colar, chamou Mendonça de “defensor técnico da Constituição” e “magistrado equilibrado”, mas usou a maior parte do tempo de fala para destacar de valores e da religião do ministro. “O senhor é um homem de Deus”, disse. Segundo o parlamentar, “o povo brasileiro deseja uma Justiça com equilíbrio e respeito às liberdades individuais”.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), citou Mendonça como um exemplo para o Judiciário, justificando que ele atua com imparcialidade, aspecto essencial para produzir segurança jurídica. “O Brasil não será grande se não tiver instituições fortes”, disse.
Tarcísio, que é próximo do homenageado, afirmou ainda que o magistrado representa uma “grande esperança” para os brasileiros. “Pode ter certeza de que coisas maravilhosas vão sair ainda das suas mãos, das suas decisões. Você é um instrumento de Deus para o povo brasileiro”, disse o governador.
Fonte ==> Exame