As especulações de que Kevin Warsh será o novo presidente do Reserva Federal (Fed) dominaram os mercados durante a madrugada.
No site de apostas Polymarket, assim que o presidente Donald Trump disse que anunciaria o substituto de Jerome Powell, a probabilidade de Warsh ser escolhido saltou para 94% e deixou para trás concorrentes como o diretor da BlackRock Rick Rieder e o atual diretor do Fed Christopher Waller.
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Waller, inclusive, votou a favor de uma redução nos juros americanos nesta semana, contrariando a grande maioria do comitê, em uma ação que foi vista, por uma ala no mercado, como uma tentativa de se inserir novamente na disputa pelo comando do Fed. Pelo visto, não surtiu tanto efeito quanto se imaginava se, de fato, essa fosse a intenção.
No contexto de Warsh como possível presidente do Fed, os mercados já começaram a se ajustar, com alta do dólar e dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo — movimento que pode ganhar ainda mais força caso o ex-diretor mantenha sua visão histórica de defender um balanço patrimonial menor.
Embora Warsh tenha se mostrado favorável a juros mais baixos, o ponto-chave para o mercado passa a ser o balanço. Em um discurso em maio do ano passado na Hoover Institution, Warsh afirmou que um balanço patrimonial grande e crescente do Fed pode entrar em conflito com a principal alavanca da política monetária, que é a taxa de juros.
“Se a impressora de dinheiro pudesse ser silenciada, poderíamos ter taxas de juros mais baixas”, afirmou o dirigente no ano passado.
De maio de 2025 para cá, o Fed encerrou seu programa de redução do balanço, passou a trocar títulos hipotecários (MBS) por Treasuries e, na margem, tem aumentado o portfólio de ativos ao comprar T-bills, em uma tentativa de manter sob controle os mercados monetários, após um período de estresse na SOFR (a taxa de juros em dólar de referência global) na segunda metade do ano passado.
Não é à toa que, assim que Warsh se mostrou o favorito de Trump nesta madrugada, o ouro passou a cair, enquanto o dólar e os juros de longo prazo dos EUA mostraram força. Se um balanço menor do Fed de fato se concretizar em uma gestão Warsh, os ajustes nos mercados monetários e nos juros de longo prazo dos EUA e do mundo podem ser relevantes.
Fonte ==> Exame