Ao falar sobre o empenho do governo brasileiro para remover as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump para a entrada de produtos brasileiros, a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Prazeres, afirmou que a extração de terras raras e refino de minerais críticos são temas que podem aproximar Brasil e Estados Unidos nas negociações.
“O comércio com os Estados Unidos nos interessa e tem potencial, o que depende de estabilidade do ponto de vista da política tarifária. Isso faz parte do diálogo com o governo americano (…) Minerais críticos e estratégicos estão na mesa e têm enorme potencial para aproximação entre os dois países. É importante entender o que nos une nessa agenda”, afirmou a representante do MDIC, durante a 4ª edição do Encontro Empresarial Brasil-USArealizado pela Amcham Brasil, nesta terça-feira (7), em São Paulo.
O evento reúne autoridades públicas, especialistas internacionais e lideranças empresariais para discutir a agenda econômica entre Brasil e Estados Unidos, com foco em comércio, investimentos e cenário político internacional. Os impactos da política tarifária de Trump foram o foco da fala de Tatiana, que destacou que o ano de 2025 foi “extremamente desafiador”.
“Ao mesmo tempo em que houve essa retração das exportações para os EUA, houve uma expansão do comércio brasileiro com o mundo. O Brasil nunca exportou tanto quanto no ano do tarifaço e houve um aumento do número de empresas exportadoras. Como comunicar esse contraste? A resiliência marca o ano do comércio exterior de 2025 (…) Com pragmatismo e ambição, podemos retomar e superar os patamares de comércio que já tivemos com os EUA”, disse.
Vale destacar que todos os produtos brasileiros são atualmente submetidos a uma tarifa de 10%, mas cerca de 45% das exportações já entram nos Estados Unidos sem sobretaxas, o equivalente a aproximadamente US$ 14 bilhões em produtos, entre alimentos, insumos e componentes industriais.
Apesar do esforço dos setores público e privado para melhorar a situação do comércio entre os dois países, cerca de 86% dos exportadores brasileiros ainda apontam preocupação com novos aumentos tarifários. Os dados são da pesquisa feita pela Amcham Brasil divulgada durante o encontro.
Além do temor por novas tarifas, 76% citam incerteza regulatória e comercial e 46% destacam os riscos associados à investigação da Seção 301, que é um processo do governo americano para apurar se diversas políticas e práticas comerciais brasileiras são “injustas” ou prejudicam o comércio dos EUA.
Na sequência, estão as preocupações relacionadas à taxa de câmbio (15,9%) e a dificuldades logísticas ou ao custo de transporte (9,5%). O levantamento foi feito com as respostas de cerca de 90 empresas exportadoras, segundo a Amcham.
Fonte ==> Exame