O mais recente modelo de inteligência artificial da startup chinesa DeepSeekcom lançamento previsto para a próxima semana, foi treinado no chip de IA mais avançado da Nvidia, o Blackwelldisse um alto funcionário da administração Trump na segunda-feira (23), no que pode representar uma violação dos controles de exportação dos Estados Unidos.
Os EUA acreditam que a DeepSeek removerá os indicadores técnicos que possam revelar o uso de chips de IA americanos, disse o funcionário, acrescentando que os chips Blackwell provavelmente estão agrupados em seu data center na Mongólia Interior, uma região autônoma da China.
A pessoa não quis dizer como o governo dos EUA recebeu a informação ou como a DeepSeek obteve os chips, mas enfatizou que a política dos EUA é: “não estamos enviando Blackwells para a China”.
A Nvidia não quis comentar, enquanto o Departamento de Comércio dos EUA e a DeepSeek não responderam aos pedidos de comentários.
A embaixada da China em Washington disse que Pequim se opõe a “traçar linhas ideológicas, estender excessivamente o conceito de segurança nacional, ao uso expansivo de controles de exportação e à politização de questões econômicas, comerciais e tecnológicas”.
Questionada nesta terça-feira (24) sobre a reportagem da Reuters em uma coletiva de imprensa regular do Ministério das Relações Exteriores da China, a porta-voz Mao Ning disse que não estavam cientes das circunstâncias e que a China já havia esclarecido repetidamente sua postura sobre o tratamento dado por Washington às exportações de chips dos EUA para a China.
A confirmação do governo dos EUA de que a DeepSeek obteve os chips, relatada pela primeira vez pela Reuters, pode dividir ainda mais as autoridades em Washington, enquanto eles lutam para determinar onde traçar o limite do acesso chinês às “joias da coroa” dos chips semicondutores de IA americanos.
O “czar da IA” da Casa Branca, David Sacks, e o diretor-presidente da Nvidia, Jensen Huang, argumentam que o envio de chips de IA avançados para a China desencoraja concorrentes chineses como a Huawei de redobrar os esforços para alcançar a tecnologia da Nvidia e da AMD.
Mas os políticos de linha-dura em relação à China temem que os chips possam ser facilmente desviados de usos comerciais para ajudar a potencializar os militares da China e ameaçar o domínio dos EUA na IA.
“Isso mostra por que exportar quaisquer chips de IA para a China é tão perigoso”, disse Chris McGuire, que atuou como funcionário do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca durante o governo do ex-presidente Joe Biden.
“Dado que as principais empresas de IA da China estão descaradamente violando os controles de exportação dos EUA, obviamente não podemos esperar que elas cumpram as condições dos EUA que as proibiriam de usar chips para apoiar as Forças Armadas chinesas”, acrescentou.
Os controles de exportação dos EUA, supervisionados pelo Departamento de Comércio, atualmente proíbem os envios de Blackwell para a China.
Em agosto, o presidente dos EUA, Donald Trump, abriu a porta para a Nvidia vender uma versão reduzida do Blackwell na China. Mas ele depois mudou de rumo, sugerindo que os chips mais avançados da empresa deveriam ser reservados para empresas dos EUA e mantidos fora da China.
A decisão de Trump em dezembro de permitir que empresas chinesas comprem os segundos chips mais avançados da Nvidia, conhecidos como H200, atraiu fortes críticas dos membros de linha-dura contra a China, mas as remessas dos chips permanecem paralisadas devido às salvaguardas incorporadas nas aprovações.
“A dependência das empresas chinesas de IA de Blackwells contrabandeados destaca seu enorme déficit de chips de IA produzidos domesticamente e por que as aprovações de chips H200 representariam uma tábua de salvação”, disse Saif Khan, que atuou como diretor de tecnologia e segurança nacional no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca sob o ex-presidente Joe Biden.
O funcionário não quis comentar como as notícias mais recentes impactariam a decisão da administração Trump sobre permitir ou não que a DeepSeek compre os H200.
O modelo que eles ajudaram a treinar provavelmente dependeu da “destilação” de modelos criados por empresas de IA de ponta dos EUAincluindo Anthropic, Google, OpenAI e xAI, ecoando alegações feitas pela OpenAI e Anthropic, acrescentou o funcionário.
A técnica conhecida como destilação envolve fazer com que um modelo de IA mais antigo, mais estabelecido e poderoso avalie a qualidade das respostas geradas por um modelo mais novo, transferindo efetivamente os aprendizados do modelo mais antigo.
A DeepSeek abalou os mercados no início do ano passado com um conjunto de modelos de IA que rivalizava com algumas das melhores ofertas dos EUA, alimentando preocupações em Washington de que a China pudesse alcançar a corrida da IA, apesar das restrições.
O portal The Information relatou anteriormente que a DeepSeek havia contrabandeado chips para a China a fim de treinar seu próximo modelo. A Reuters está relatando pela primeira vez a confirmação do governo dos EUA sobre o uso dos chips para esse propósito nas instalações da DeepSeek baseadas na Mongólia Interior.
Fonte ==> Exame