Em teleconferência para falar dos resultados da Multiplano, realizada nesta sexta-feira (31), o diretor vice-presidente financeiro e de relações com investidores, Armando d’Almeida Netoafirmou que a desaceleração nas vendas mesmas lojas (SSS) é fruto de uma base já elevada e de problemas operacionais.
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“Tem uma base de comparação muito alta, que foi o desempenho dos shoppings no Rio Grande do Sul, no ano passado, com crescimento de vendas em vários setores, como eletroeletrônicos perdidos durante a enchente (…) E tem sempre algumas operações que, por diversas razões, não performam bem, acho que faz parte ter esse descolamento pontual”, disse.
Os resultados do terceiro trimestre da Multiplan foram díspares em métricas operacionais, com aluguéis ainda fortes, mas vendas em queda nos shoppings geridos pela empresa. As vendas mesmas lojas subiram 4,8%, contra 10,9% no trimestre anterior, o que indica desaceleração.
“A leitura até 26 de outubro é de vendas crescendo no ritmo de 8%; estamos já em uma aceleração maior do que estava”, afirmou o diretor vice-presidente.
O aluguel mesmas lojas (SSR) avançou 9,3%, no mesmo nível do segundo trimestre. De acordo com o diretor executivo da empresa, Eduardo Kaminitz Peres, a busca por melhores aluguéis justifica os investimentos.
“Só se consegue crescer aluguel se o lojista vender a mais (…). A gente tem criado vendas superiores da pandemia pra cá; isso é consequência dos investimentos em revitalização e expansão. A nossa iniciativa é de melhorar os ativos”, explicou.
Os executivos também foram questionados a respeito da receita de cessão de direitos ter vindo negativa, em R$ 5,7 milhões, o que pode indicar que a demanda por novas áreas está em queda. Na visão da empresa, a cessão de direitos negativa não é preocupante. “Muitas vezes essa conta é melhorada por uma melhor taxa de transferência, principalmente”, reiterou d’Almeida Neto.
A empresa de desenvolvimento de shopping centers apresentou lucro líquido de R$ 221,1 milhões no terceiro trimestre de 2025, representando queda anual de 20,9%. No mesmo período, a receita líquida foi de R$ 617,5 milhões, alta anual de 13,3%.
Apesar do maior faturamento, o resultado final da companhia foi prejudicado, principalmente, pela piora no resultado financeiro, que ficou negativo em R$ 162,8 milhões no trimestre, mais de quatro vezes superior aos R$ 38,5 milhões negativos do terceiro trimestre de 2024. Esse desempenho é explicado pela piora de 135,4% nas despesas financeiras, que totalizaram R$ 200,2 milhões.
Fonte ==> Exame