Em reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU convocada após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o embaixador americano, Mike Waltz, rebateu críticas e defendeu a “Operação Fúria Épica”, enquanto China e Rússia se uniram a Teerã na condenação à nova ofensiva militar do governo de Donald Trump.
O encontro ocorre depois dos ataques coordenados lançados por EUA e Israel contra várias cidades do Irã, que tiveram como alvo as lideranças no país. Em uma postagem nas redes sociais, Trump afirmou que o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, foi morto na ação. Teerã, até o momento, nega a informação.
“Nenhuma nação responsável pode ignorar a agressão e a violência persistente”, disse Waltz, acrescentando que os EUA teriam agido dentro da lei internacional em resposta à violência que seria patrocinada pelo Irã e às ameaças de suas ambições militares. “A história nos ensinou que o custo da inação é muito maior do que o ônus de uma ação decisiva.”
As declarações foram duramente criticadas pelo embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, que chamou a ofensiva de americanos e israelenses de “crime de guerra”, sem fazer qualquer menção às alegações de Khamenei havia sido morto.
“O número de civis inocentes mortos continua a aumentar. Isso não é apenas um ato de agressão, é um crime de guerra e um crime contra a humanidade”, disse ele, acrescendo a Paquistão, China e Rússia por condenarem o ataque.
Iravani também afirmou que, em resposta à agressão sofrida, o Irã se vê no direito de atacar posições dos EUA e de Israel na região. “Todas as bases, instalações e ativos das forças hostis na região são alvos militares legítimos para o exercício do direito de autodefesa do Irã”, disse ele.
China e Rússia, principais rivais dos EUA, também criticaram o governo de Trump durante a reunião de emergência da ONU, convocada a pedido dos dois países e da França.
Ao comentar sobre o tema, o embaixador da Rússia na ONU, Vassily A. Nebenzia, disse que Teerã havia sido “apunhalada pelas costas” em meio ao diálogo para reduzir as tensões e acrescentou que os EUA e Israel estão “culpabilizando a vítima”. O oficial russo acrescentou ainda que são “infundadas” as alegações americanas de que o Irã está buscando armas nucleares.
Já o embaixador da China na ONU, Fu Cong, culpou os EUA e Israel pelos ataques no Irã e por “causarem uma escalada repentina das tensões regionais”. Ele afirmou que Pequim lamenta o grande número de vítimas civis.
Antes das falas de ambos, o secretário-geral da ONU, António Guterres, abriu a reunião dizendo: “Estamos testemunhando uma séria ameaça à paz e à segurança internacionais”, no que ele chamou de região mais instável do mundo.
Fonte ==> Exame