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Não saber matemática atrasa o Brasil – 03/02/2026 – Opinião

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Dentre os fatores que explicam as últimas décadas de crescimento econômico baixo e irregular do Brasil, estão o nível precário de aprendizagem de seus alunos, principalmente em matemática.

Pesquisa da Fundação Itaú de 2024 mostrou que trabalhadores em ocupações que fazem uso intensivo da disciplina tinham rendimento médio que chegava ao dobro da média nacional.

Ainda segundo o estudo, em 2022, essas profissões geraram 4,6% do Produto Interno Bruto brasileiro —cerca de R$ 450 bilhões. Em países como Reino Unido e França, o percentual vai a 18% e tende a subir, num mundo movido a inovação tecnológica.

Os números mostram por que o Brasil está atrás nessa corrida.

A taxa nacional dos alunos que concluíram o ensino médio até os 18 anos com aprendizado considerado básico em matemática foi de apenas 21,4% em 2023, ante 25,5% em 2019 —a pandemia só piorou o que já estava ruim.

O cálculo é do Índice de Inclusão Educacional, desenvolvido pela organização Metas Sociais a pedido do Instituto Natura, que articula dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Censo Escolar e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Isso quer dizer que 8 em cada 10 estudantes não sabem resolver problemas com porcentagens ou lidar com situações numéricas do cotidiano. Nenhum estado consegui chegar a 30%, e as discrepâncias regionais são grandes. Enquanto o Paraná, primeiro colocado, obteve 28,1%, Amapá, na última posição, marcou 8,2%.

Na mais recente edição do Pisa (2022), que avaliou jovens de 15 anos de idade de 81 países, o Brasil ficou no 65º lugar com a nota 379, ante 472 da média da OCDE; mesmo vizinhos como Peru, Colômbia e Chile nos superaram.

Já passa da hora de o país melhorar a gestão dos expressivos recursos destinados à educação para focar na aprendizagem.

Seguindo o exemplo de nações que apresentam bons resultados no setor, é preciso investir na formação e na capacitação contínua dos professores e na educação desde a primeira infância.

Políticas de progressão continuada (passar de ano sem obter aprovação) que não dão a devida atenção aos alunos em defasagem podem criar distorções; o mesmo cuidado é necessário com aqueles que ainda sofrem os efeitos da pandemia.

Ademais, avaliações de desempenho não são meros diagnósticos. Devem ser usadas para corrigir falhas, recompensar bons desempenhos dos docentes e diminuir desigualdades regionais.

editoriais@grupofolha.com.br



Fonte ==> Folha SP

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