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No mercado, temor com dívida da Aegea cresce com piora na alavancagem | Intraday

No mercado, temor com dívida da Aegea cresce com piora na alavancagem | Intraday

Os sucessivos adiamentos na divulgação de resultados da Aegea levaram o mercado a precificar um cenário de deterioração da alavancagem — e a temer até uma quebra de “covenants”, as cláusulas restritivas de parte das dívidas da companhia de saneamento básico. Os bonds da Aegea sofreram forte “sell-off” desde o início do mês, ao refletir, ainda que parcialmente, esse risco. O rompimento não ocorreu, com a divulgação na noite de sexta-feira dos resultados, mas a nova fotografia mostra uma empresa já próxima dos limites contratuais, com margem de manobra significativamente menor.

Havia um temor no mercado em relação a um evento de default técnico caso a Aegea não divulgasse seus resultados até a última sexta-feira, 10 de abril, já que o descumprimento do prazo poderia acionar cláusulas de vencimento antecipado em parte das dívidas. De acordo com gestores de renda fixa ouvidos pelo Valentiaisso não ocorreu. “Não houve um evento de crédito”, diz o profissional de uma casa importante no mercado.

Isso, porém, não minimiza o aumento relevante da alavancagem da companhia, o que tende a manter pressão sobre os papéis da empresa na reabertura dos mercados. Na última semana, os bonds da Aegea com vencimento em 2036 chegaram a ser negociados a 71% do valor de face, afetados, justamente, pela piora na percepção de risco diante da sensação de governança frágil da companhia.

Nas demonstrações auditadas, a alavancagem financeira consolidada da companhia aumentou e ficou em 3,78 vezes da dívida líquida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Já no balanço “proforma”, o indicador ficou em níveis ainda mais altos, em 4,5 vezes, o que gera um sinal de alerta importante. As expectativas de mercado apontavam para uma alavancagem líquida entre 3,3 e 3,7 vezes, o que já apontava para uma deterioração relevante em relação ao número do terceiro trimestre de 2025, de 2,9 vezes.

Também havia um temor no mercado em relação aos “covenants” nesse caso. Isso porque, como mostrou o Valentiasegundo o formulário de referência disponível na CVM, a maior parte das emissões de dívida da Aegea tem “covenants” estabelecendo que a alavancagem líquida não pode ultrapassar 3,5 vezes. No entanto, fontes indicaram que o limite seria, na verdade, 4,0 vezes. Esse também foi o apontamento da agência Moody’s em relatório recente sobre a companhia, ao notar que os “covenants” mais restritivos da Aegea eram de até 4,0 vezes.

A alavancagem líquida de 3,78 vezes, contudo, é um ponto de atenção relevante e se soma aos diversos adiamentos na divulgação de resultados, ao emitir um sinal amarelo para os agentes.

Na avaliação da analista de crédito Alejandra Andrade, do J.P. Morgan, a demora no balanço é um “desenvolvimento extremamente preocupante para uma companhia que já havíamos apontado como vulnerável, diante de uma queima recorrente de fluxo de caixa livre, políticas de crescimento e financeiras agressivas e uma estrutura societária bastante complexa”. Para a profissional, essas características “tornam a confiança do mercado e o acesso a financiamento absolutamente cruciais”.

O J.P. Morgan estava entre as casas mais cautelosas em relação à alavancagem líquida da Aegea, com projeção de 3,6 vezes, ainda que mantivesse a empresa com rating “neutro” na análise de crédito. “Em nossa avaliação, a companhia ainda tem um trabalho relevante pela frente, e o caminho à frente deve depender de sua capacidade de reconstruir gradualmente a confiança do mercado”, enfatiza Andrade.

A percepção de risco e as questões de governança também são destacadas pelas analistas de renda fixa Mayara Rodrigues e Maria Luisa Paolantoni, da XP, que relembram os “downgrades” recentes no rating da Aegea pela S&P e pela Fitch, além de apontarem a estratégia agressiva de crescimento entre os principais riscos para a companhia.

“A expansão tem impulsionado o crescimento da Aegea, mas implica na necessidade de capital para realizar pagamento das outorgas e os investimentos em ampliação da cobertura de água e esgoto, e na melhoria da qualidade dos serviços”, dizem as analistas da XP.



Fonte ==> Exame

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