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Orcas caçam tubarão-branco para comer seu fígado – 04/11/2025 – Ciência

Orcas caçam tubarão-branco para comer seu fígado - 04/11/2025 - Ciência

Em meados de agosto de 2020, o drone do biólogo Erick Higuera registrou uma caçada brutal no golfo da Califórnia, no México. Um grupo de orcas atacava um tubarão-branco, virando-o de cabeça para baixo e empurrando-o para baixo da superfície. Tudo por um objetivo: o fígado dele.

Cientistas já haviam encontrado evidências de que um dos principais predadores do oceano estão na mira das orcas. Há alguns anos, carcaças de tubarões-brancos sem fígado apareceram nas praias da África do Sul. Em 2022, imagens de drone feitas no país africano mostraram a técnica dos caçadores.

Até então, o comportamento não havia sido documentado no México. Um estudo publicado nesta segunda-feira (3) na revista Frontiers in Marine Science, analisou as imagens de Higuera, que é ligado à organização científica Conexiones Terramar, da caça de 2020 também as de outra semelhante em 2022.

Os registros revelam técnicas de caça especializadas entre grupos de orcas e sugerem que as mudanças climáticas e o aquecimento dos mares podem estar fazendo com que tubarões-brancos e orcas se encontrem com mais frequência.

O primeiro ataque documentado de orcas a tubarões-brancos ocorreu na década de 1990, nas Ilhas Farallon, próximas a São Francisco (Estados Unidos), uma área onde ambas as espécies predadoras se sobrepõem. Anos depois, o surgimento de carcaças sem fígado na África do Sul causou surpresa, já que as águas eram dominadas por tubarões-brancos.

A maioria desses encontros envolveu a caça de tubarões adultos maiores, que possuem fígados maiores ricos em nutrientes. Contudo, nos dois eventos registrados no México, as orcas estavam atrás de tubarões jovens.

Nos episódios mexicanos, as orcas viraram o tubarão de barriga para cima para induzir um estado de transe que deixa o animal temporariamente paralisado. Ao fazer isso, elas reduzem o risco de serem mordidas, uma estratégia potencialmente mais fácil de aplicar em tubarões menores, observou o estudo. Depois, elas consumiram o fígado da vítima e deixaram o resto da carcaça para trás.

A bióloga Alison Towner, da Universidade Rhodes (África do Sul), disse que foi empolgante ver como a interação no México se alinha de perto com o que os cientistas documentaram no país africano. Ela estuda interações entre orcas e tubarões, mas não participou do novo estudo.

“O mesmo órgão é visado, mas as técnicas são distintas”, afirmou ela, comparando os ataques na África do Sul aos do México. Tais diferenças sugerem que as técnicas de caça podem ser um comportamento aprendido e transmitido dentro dos grupos de orcas, na avaliação de Towner.

Os tubarões-brancos também são altamente sensíveis ao risco, de acordo com a bióloga: “Uma vez que encontram orcas e sobrevivem, eles tendem a evitar completamente essas áreas costeiras.” Isso pode não ser o caso com tubarões mais jovens que desconhecem o perigo.

Embora as orcas habitem todos os oceanos do mundo, grupos locais geralmente se especializam em uma pequena variedade de presas disponíveis. Cada grupo parece predar animais específicos, incluindo filhotes de baleia, focas, arenques, raias e tubarões-brancos.

O grupo de orcas no México —batizado de Moctezuma, o nome de um antigo imperador asteca— preda tubarões e raias. Também estão entre os seus alvos o tubarão-baleia, o maior peixe do oceano —as orcas igualmente os viram de barriga para cima e os atacam para chegar aos seus fígados altamente calóricos.

“É a única coisa que realmente vale a pena para o tempo delas”, afirmou o ecologista Taylor Chapple, da Universidade Estadual do Oregon (Estados Unidos), que não esteve envolvido na pesquisa.

Pesquisas anteriores descobriram que o recente aquecimento dos oceanos pode ter alterado a distribuição de tubarões-brancos juvenis. No Golfo da Califórnia, isso os torna disponíveis como presas para as orcas que vivem lá durante todo o ano.

“Há também uma consequência de simplesmente mais pessoas observando a água e com meios para registrar isso”, disse Chapple.

Tubarões-brancos, que podem passar de seis metros, são frequentemente considerados invencíveis. Mas, segundo Chapple, “tubarões, mesmo sendo predadores de topo, também são presas de outras criaturas”.

Orcas e tubarões-brancos são ambos importantes para um ecossistema, acrescentou ele, “mas quando eles interagem, ainda há apenas um animal no topo”.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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