Aliados dos EUA na Europa preveem que o presidente Donald Trump retirará mais tropas do continente após anunciar a retirada de 5.000 soldados da Alemanha, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.
Altos diplomatas de países aliados da OTAN preveem que Trump anunciará novas reduções de tropas, possivelmente incluindo da Itália, e descartará um plano que remonta à presidência de Joe Biden para estacionar mísseis de longo alcance na Alemanha, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas por estarem discutindo deliberações privadas.
Outros cenários incluem o fim da participação dos EUA em alguns exercícios militares e o desvio de tropas de países com os quais o país está insatisfeito para outros considerados mais favoráveis ao presidente, disseram as fontes. Essa é uma ideia que remonta ao primeiro mandato de Trump, quando ele cogitou enviar mais tropas para a Polônia.
As pessoas disseram que suas previsões sobre as retiradas se baseavam nos comentários públicos de Trump e em conversas que autoridades da aliança tiveram com seus homólogos americanos sobre seus planos futuros para a OTAN.
O Pentágono se recusou a comentar, enquanto a Casa Branca se referiu aos comentários feitos pelo secretário de Estado Marco Rubio na sexta-feira.
“Se uma das principais razões pelas quais os EUA fazem parte da OTAN é a capacidade de ter forças destacadas na Europa que poderíamos projetar para outras contingências, e agora isso já não acontece, pelo menos no que diz respeito a alguns membros da OTAN, isso é um problema — e tem de ser analisado”, disse Rubio a jornalistas em Itália.
Essas medidas serviriam como mais um sinal da insatisfação de Trump com alguns aliados da OTAN, como a Alemanha e a Espanha, devido ao que ele considera ajuda insuficiente para a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Questionado no final de abril se consideraria retirar tropas da Itália ou da Espanha, Trump respondeu: “Bem, por que não?”.
“A Itália não nos ajudou em nada”, disse ele. “E a Espanha foi horrível, absolutamente horrível.”
A aliança ainda não foi informada sobre qual unidade será retirada da Alemanha, mas autoridades acreditam que os EUA estão analisando opções para implementar a retirada prontamente, disse uma das fontes. A Espanha, que atraiu a ira de Trump, também foi o único país a receber uma isenção da nova meta de gastos com defesa da OTAN de 5%, o que levou a especulações de que os EUA poderiam reduzir sua presença nas bases de Rota ou Morón.
Os comentários do presidente e a ansiedade entre os diplomatas da OTAN agravaram o desconforto já existente entre Trump e as nações europeias — uma tensão que só piorou em seu segundo mandato. Essa preocupação é contrabalançada pelo fato de Trump ter insinuado repetidamente a possibilidade de se retirar da OTAN — sem nunca concretizá-la.
Isso pode ser, em parte, um reconhecimento por parte de Trump e seus assessores de que uma ruptura permanente ou uma retirada em larga escala prejudicaria os interesses dos EUA tanto quanto poderia satisfazer a exigência de Trump por vingança contra países vistos como mantendo distância.
“Sofremos tanto ou mais do que os países europeus que identificaríamos como alvos de punição se tentássemos reduzir significativamente nossas forças ou nossa presença militar”, disse Gordon Davis, major-general aposentado do Exército e ex-alto funcionário da OTAN. Davis é atualmente pesquisador sênior do Centro de Análise de Políticas Europeias.
Os Estados Unidos têm atualmente cerca de 85.000 militares estacionados no continente europeu — um número que varia ao longo do tempo, conforme as unidades retornam para casa ou os EUA reforçam sua presença para exercícios militares.
As bases espalhadas pela Europa servem como ponto de partida para o rápido deslocamento para o Oriente Médio, África e Ásia Central. A presença dos EUA na Europa Oriental proporciona segurança e aumenta a dissuasão contra a Rússia.
Apesar da raiva de Trump, autoridades da OTAN e diplomatas de alto escalão disseram acreditar que as salvaguardas impostas pelo Congresso, bem como a dependência estratégica dos EUA em relação à Europa, limitarão a capacidade do presidente de promover mudanças drásticas.
Quando Trump anunciou seu plano na semana passada de retirar 5.000 soldados da Alemanha, alguns legisladores questionaram se a medida contrariava a intenção de uma lei aprovada pelo Congresso no ano passado, que exigia sua aprovação para reduzir a presença militar dos EUA na Europa para menos de 76.000 soldados.
Uma reunião recente entre o Subsecretário de Defesa Elbridge Colby e embaixadores de cerca de uma dúzia de países da OTAN foi produtiva e focada na colaboração para alcançar o que é conhecido como “OTAN 3.0”, a iniciativa dos EUA para que a Europa assuma a responsabilidade principal por sua própria defesa, de acordo com três pessoas familiarizadas com a conversa, que pediram para não serem identificadas.
É provável que alguns aliados da OTAN apoiem uma realocação de recursos americanos para o leste, visto que a Alemanha não é mais o epicentro do confronto com a Rússia como era durante a Guerra Fria. A Polônia, o país que mais investe em defesa na OTAN em relação ao seu PIB, está pressionando por uma maior presença americana.
Os EUA também estão expandindo as bases de Souda Bay e Camp Kościuszko na Grécia e na Polônia, alimentando especulações de que os EUA possam realocar tropas para esses locais.
Fonte ==> Exame