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Paleontólogos são citado nos arquivos Epstein – 06/06/2026 – Ciência

Paleontólogos são citado nos arquivos Epstein - 06/06/2026 - Ciência

A liberação de mais documentos relacionados a Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça americano neste ano revelou contatos dele com paleontólogos renomados. Um deles é o professor John Jack Horner, 79, consultor de “Jurassic Park”.

Em um comunicado divulgado no início de fevereiro, a Sociedade de Paleontologia de Vertebrados (SVP, na sigla em inglês) dos EUA disse entender que a divulgação dos documentos poderia deixar seus membros em alerta.

“Estamos cientes de que nomes de alguns membros da SVP apareceram nesses materiais. Caso surjam informações confiáveis que justifiquem ação sob nossas políticas vigentes, trataremos do assunto de forma rápida e adequada”, diz a mensagem, assinada por Stuart Sumida, presidente da entidade.

Em uma segunda nota, divulgada em 30 de abril para os membros da entidade e à qual a Folha teve acesso, Sumida afirmou que, após a realização de um encontro em 26 de fevereiro, membros do Comitê de Ética da SVP e a presidência decidiram rever o código de conduta da entidade, além de uma análise do processo de denúncia de violações desse código.

Procurado, Sumida disse à reportagem em 10 de maio que uma revisão das diretrizes aos membros já estava em curso à época da liberação dos arquivos de Epstein.

Em sua página no Instagram, os organizadores de um encontro científico marcado para julho no Reino Unido, chamado DinoCon, disseram ter excluído do evento “todos os indivíduos que supostamente se envolveram com Epstein” —não foram divulgados os nomes.

“Nós, da DinoCon, levamos muito a sério a segurança dos nossos participantes, palestrantes e organizadores. Como resultado da divulgação dos arquivos Epstein, tornou-se notório que um número seleto de autores relevantes no campo da paleontologia supostamente se envolveu com membros da organização de Epstein após a sua condenação. Nós queremos afirmar que esses indivíduos foram banidos de todos os nossos eventos.”

Procurado, Nathan Barling, paleontólogo e organizador da DinoCon, disse que ele e os demais organizadores decidiram não comentar mais o assunto.

O principal nome da paleontologia citado é o de Horner, presente em centenas de documentos divulgados pelo governo americano. Ele foi consultor dos cinco primeiros filmes da franquia “Jurassic Park”, além de escrever dezenas de artigos e livros científicos.

Horner se encontrou com Epstein em julho de 2012, quando visitou o rancho do bilionário em Santa Fé, Novo México. Em setembro do mesmo ano, ele contatou Epstein novamente solicitando auxílio para um encontro científico organizado por ele no Museu Rockies, ligado à Universidade Estadual de Montana.

À época, Epstein já havia sido condenado pelas autoridades estaduais da Flórida por solicitação de prostituição e solicitar prostituição de menores de 18 anos.

Além disso, outras mensagens sugerem que Horner esteve no rancho de Epstein novamente, em 2016, quando ele já tinha sido condenado por crimes sexuais contra menores de idade. O professor confirmou que esteve na propriedade de Epstein com uma estudante, mas que não se encontrou com o bilionário.

Em uma troca de mensagens do dia 1º de setembro de 2012, após visitar o rancho de Epstein, Horner disse que “se divertiu muito, especialmente passando tempo com você e as garotas”. Em outro email, após uma conferência científica em Madri (Espanha), Horner descreveu a Epstein algumas das atividades de pesquisa de seu projeto DinoChicken e escreveu, no final, “mande lembranças às garotas”.

Quando as trocas de emails de Horner com Epstein foram divulgadas, a Universidade de Chapman anunciou que a instituição e o professor “decidiram seguir rumos separados”. Procurado, Robert Hitchcock, diretor de comunicações estratégicas da universidade, confirmou que Horner não faz mais parte da universidade, mas disse não poder dar mais informações.

Sumida, da SVP, disse que Horner continua sendo membro associado da entidade. A reportagem procurou a presidência da Universidade Estadual de Montana, na qual Horner é professor aposentado, mas a instituição não respondeu até a publicação deste texto.

Horner disse à Folha que nunca teve nenhum relacionamento com Epstein. “Antes de saber sobre seus comportamentos hediondos, busquei Epstein para ser um possível doador ao meu projeto DinoChicken”, afirmou ele, referindo-se ao projeto cujo objetivo era usar a engenharia genética reversa para produzir, a partir de embriões de galinha, dinossauros.

“Fui ao seu rancho no Novo México, onde apresentei minha proposta de financiamento, e ele recusou”, continuou Horner. “Claramente foi uma má decisão tentar obter recursos financeiros dele, pois como resultado dessa interação insignificante fui demitido do meu emprego, onde não fiz absolutamente nada de errado, e sumariamente cancelado pela sociedade.”

Sobre qual teor das mensagens e a menção a “garotas”, Horner disse que fez um mau uso da expressão que, segundo ele, foi empregada para se referir a universitárias que estavam no rancho de Epstein na ocasião da sua visita. “Cresci nos anos 1950 e 1960 e, ao longo da minha vida, infelizmente me referi a quaisquer mulheres mais jovens do que eu como ‘garotas’. Estou fazendo o meu melhor para ser mais consciente sobre a linguagem apropriada à medida que envelheço.”

Ele afirmou ainda que nunca teve “nenhum tipo de envolvimento com nenhuma das ações de Epstein” e que, se é culpado de algo, é de “culpa por associação”.





Fonte ==> Folha SP – TEC

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