O Papa Leão XIII viajou neste sábado (18) para Angola, onde deverá abordar a exploração dos recursos naturais no país rico em petróleo, na terceira etapa de sua viagem por quatro nações africanas, durante a qual adotou um novo estilo de oratória incisivo.
O pontífice foi alvo de repetidos ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta semana. Mas, durante o voo de Camarões para Angola, ele procurou minimizar a disputa, dizendo a repórteres que os comentários que fez sobre “tiranos” não eram dirigidos a Trump e que não era do interesse do papa debater com ele.
Antes de deixar Camarões, Leão XIII celebrou uma missa de despedida na capital, Yaoundé, exortando os participantes a não perderem a esperança, apesar dos desafios enfrentados pelo país da África Central, que incluem um conflito latente em suas duas regiões anglófonas, que já matou milhares de pessoas.
“Nos momentos em que parece que estamos afundando, vencidos por forças adversas, quando tudo parece sombrio… Jesus está sempre conosco, mais forte do que qualquer poder do mal”, disse o pontífice a uma multidão que o Vaticano estimou em 200 mil pessoas, o que faria deste o maior evento de sua viagem até o momento.
“Em todas as tempestades, ele vem até nós e repete: ‘Estou aqui com vocês: não tenham medo'”, disse.
Em Angola, ainda neste sábado, o papa deveria se encontrar com o presidente do país, João Lourenço, antes de discursar para os líderes políticos de Angola.
Após décadas de conflitos sangrentos no século XX, Angola tornou-se uma das principais nações produtoras de petróleo na África subsaariana, com o setor representando cerca de 95% de suas exportações.
Sua população de 36,6 milhões de pessoas ainda enfrenta a pobreza extrema, com mais de 30% vivendo com menos de US$ 2,15 por dia, segundo o Banco Mundial.
Mais da metade do país se identifica como católica.
Leão, originário de Chicago, manteve um perfil relativamente discreto para um papa durante seus primeiros 10 meses. Na África, ele denunciou veementemente a guerra, a desigualdade e os líderes mundiais.
Sua viagem pela África é uma das mais complexas já organizadas para um pontífice, com paradas em 11 cidades e vilas em quatro países, percorrendo quase 18.000 km (11.185 milhas) em 18 voos.
As multidões que saudaram o papa em sua visita aos Camarões mostraram-se entusiasmadas, incluindo cerca de 120 mil pessoas que compareceram à missa de sexta-feira em Douala, alinhadas nas ruas ao longo de seus trajetos e vestindo tecidos coloridos com imagens de seu rosto.
Fonte ==> Exame