As habilidades profissionais atuais precisam evoluir em resposta às novas demandas do mercado. Segundo relatório do Fórum Econômico Mundial e da Fundação Dom Cabral (FDC) sobre futuro do trabalho, realizado com mais de mil empregadores globais em 55 países, inclusive o Brasil, cerca de 39% das competências profissionais que existem hoje se tornarão obsoletas entre 2025 e 2030.
No Brasil, entre as atribuições exigidas para os próximos anos estão pensamento analítico, apontado por 69% das empresas; resiliência, flexibilidade e agilidade (67%), além de capacidade de liderança e influência social (61%).
“A ‘meia-vida’ das competências profissionais está encurtando”, afirma Paul Ferreira, diretor dos programas de mestrado e doutorado profissional em administração e professor de estratégia e liderança na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP). “Dados do Fórum Econômico Mundial estimam que seis em cada dez trabalhadores precisarão de treinamento até 2027.”
Na visão de Ferreira, como a maioria dos empregos será reconfigurada nos próximos anos, com alterações no conteúdo das tarefas e nas qualificações exigidas, a tendência é que as contratações sejam menos centradas em diplomas e mais “skills-based” (baseadas em competências). “Plataformas de busca de talentos e relatórios de mercado já mostram um aumento de vagas que descrevem as habilidades necessárias nos empregos – e não só as características e descrições dos cargos”, diz.
Enfrentar esse desafio requer dos profissionais a aposta em uma construção de carreira mais diversa. “Devem tratá-la como um ‘portfólio evolutivo’, não como uma jornada em linha reta, combinando experiências, projetos e formação”, sugere Ferreira. “Vale adotar uma postura de aprendizagem ao longo da vida e de alfabetização em inteligência artificial (IA), usando a própria tecnologia como ferramenta de estudo.”
Para Renata Rivetti, CEO da consultoria Reconnect Happiness at Work, o pensamento analítico será, talvez o ativo mais importante dos currículos do futuro. “Precisamos voltar a pensar. Hoje, já vemos a IA substituindo essa ação”, diz a autora do livro “O poder do bem-estar-Um guia para redesenhar o futuro do trabalho” (Objetiva). “A ideia é ter visão crítica e analítica para fazer da tecnologia uma parceira estratégica nas tomadas de decisão.”
A consultora aposta também no “lifelong learning” (“aprendizado ao longo da vida”, do inglês). “Não existe mais isso de ‘parar de estudar’”, assinala. “Tendências como o ‘microlearning’ estão surgindo, com as pessoas absorvendo ‘pílulas’ de conhecimento.”
A boa notícia, segundo a pesquisa do Fórum Econômico Mundial e FDC, é que os profissionais querem se aperfeiçoar. O mapeamento indica que 65% dos trabalhadores consideram a requalificação essencial para manter a empregabilidade, 70% estão dispostos a dedicar tempo fora do expediente para cursos e 78% buscam oportunidades de treinamento oferecidas pelos empregadores para aprimorar as habilidades.
Hugo Tadeu, professor e diretor do Centro de Pesquisa em Inovação e IA da FDC, observa que o esforço de capacitação também deve vir dos empregadores. O estudo sinaliza que 58% das empresas esperam recrutar talentos com novas competências e 48% planejam transferir funcionários de funções em declínio para posições em crescimento, afirma.
“É importante colocar a gestão de pessoas na agenda estratégica das diretorias e conselhos, alinhando novas competências às demandas tecnológicas”, diz. “Sem esquecer de reavaliar os investimentos em treinamento, priorizando habilidades em áreas como IA e big data.”
Fonte ==> Exame