Uma parte de um foguete Falcon 9, da SpaceX, atingiu a superfície da Lua na madrugada desta quarta-feira (5) a uma velocidade de 8.600 quilômetros por hora
No entanto, até o momento, ninguém parece ter relatado quaisquer sinais evidentes do impacto.
Os astrônomos esperavam que a colisão produzisse um clarão intenso o bastante e uma nuvem de poeira e detritos grande o suficiente para que ela pudesse ser observada da Terra por meio de telescópios. No entanto, na hora marcada, o satélite natural da Terra continuava com a mesma aparência de sempre.
O Falcon 9 em questão deixou a Terra em 15 de janeiro do ano passado, transportando dois módulos lunares: o Blue Ghost, da americana Firefly Aerospace; e o Resilience, da japonesa Ispace. Mais tarde, o Blue Ghost pousou no lado próximo da Lua, enquanto o Resilience se chocou contra a superfície.
Depois que o segundo estágio do Falcon 9 colocou as duas espaçonaves em suas trajetórias rumo à Lua, ele continuou orbitando a Terra. Astrônomos amadores o localizaram rapidamente.
Bill Gray, desenvolvedor do Projeto Pluto, um conjunto de softwares astronômicos usados para calcular as órbitas de asteroides e cometas, foi o primeiro a perceber que poderia haver a colisão. “Estava claro que a órbita do objeto cruzaria a da Lua. Portanto, era provável que, em algum momento, ele passasse muito perto dela ou colidisse com sua superfície.”
Gray disse que, no ano passado, os cálculos indicavam ser bastante provável uma colisão com a Lua. Mas ele não divulgou nada até abril, quando se sentiu seguro de que poderia determinar onde ocorreria o impacto: perto da cratera Einstein, de 177 quilômetros de diâmetro, no hemisfério norte da Lua.
O fim anticlimático do estágio do foguete não foi uma surpresa.
Simulações de computador calcularam o efeito do estágio do foguete atingindo a Lua em uma posição vertical, o que teria produzido a maior quantidade de detritos, mas era mais provável que caísse de lado e em ângulo.
No caso de um impacto vertical, o clarão e a pluma previstos estavam no limite do que poderia ser visto, e a dinâmica dependia de outros fatores desconhecidos, como se o estágio atingiu uma rocha sólida ou não.
Observações feitas pelo Telescópio Discovery, do Observatório Lowell, no Arizona, e pelo Very Large Telescope (VLT), no Chile, podem revelar indícios da colisão, como comprimentos de onda específicos da luz emitidos ou absorvidos pela nuvem de detritos, mas esses dados ainda precisam ser analisados.
“Conseguimos fazer as observações apesar das nuvens densas e intermitentes, mas precisamos fazer uma rápida redução dos dados para saber se vimos alguma coisa”, disse o astrônomo Patrick Lierle, da Universidade de Boston, envolvido nas observações do Lowell. “Portanto, por enquanto, ainda não há resposta.”
As observações mais promissoras até agora vêm do Chile.
Carl Schmidt, também da Universidade de Boston, usou o VLT para medir sódio e lítio em uma pluma de dezenas de quilômetros de extensão, que persistiu por cinco a dez minutos após o impacto.
O cientista afirmou estar “100% confiante” de que as leituras foram produzidas pelo impacto.
No entanto, ao que parece, ninguém conseguiu ver ou fotografar diretamente a colisão.
“Até agora, só ouvi respostas negativas do pessoal que trabalha com imagens”, disse Lierle.
A espaçonave sul-coreana Danuri sobrevoou o local previsto da queda cerca de oito horas depois do impacto. Mesmo que tenha conseguido registrar uma imagem da cratera, a identificação pode levar dias ou semanas. Isso porque localizar a área recém-alterada da paisagem lunar é como procurar uma agulha no palheiro. A confirmação exigirá comparar a depressão com uma fotografia anterior que mostre a superfície intacta naquele local antes do impacto.
Daqui a seis dias, o Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa, também sobrevoará o local, fornecendo imagens adicionais para ajudar nas buscas.
É possível que as previsões estivessem erradas e que o estágio do Falcon 9 não tenha atingido a Lua?
Os cientistas estão confiantes de que a colisão ocorreu. Como tudo o que se desloca pelo Sistema Solar, o estágio do foguete se moveu de acordo com as leis de Newton, com apenas pequenos desvios decorrentes de forças adicionais, como o vento solar. A margem de incerteza quanto ao local do impacto era de apenas alguns quilômetros.
Fonte ==> Folha SP – TEC