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Possíveis cavidades seriam de entrada secreta em pirâmide – 22/11/2025 – Ciência

Três pirâmides antigas em uma planície desértica sob um céu azul com nuvens brancas dispersas. A maior pirâmide está centralizada, com duas menores ao lado direito e esquerdo. O horizonte mostra uma área urbana distante.

A pirâmide de Miquerinos, a menor e provavelmente a menos alterada desde o Antigo Império das três grandes estruturas de Gizé, está novamente no centro das atenções arqueológicas.

Desta vez, o interesse parte de uma equipe conjunta da Universidade do Cairo e da Universidade Técnica de Munique (TUM), no âmbito do projeto ScanPyramids, que identificou duas cavidades preenchidas com ar logo atrás de uma área de blocos na face leste da construção.

A descoberta fornece novas evidências que corroboram uma suspeita antiga e reacendem uma hipótese que circula na egiptologia há anos: a possível existência de uma segunda entrada no monumento faraônico de mais de 4.500 anos.

O que intrigou os arqueólogos durante anos foi a presença de uma área de blocos de granito meticulosamente polidos no lado leste da pirâmide, com aproximadamente quatro metros de altura e seis metros de largura. Ela chamou a atenção porque esse tipo de acabamento só aparece nos blocos que circundam a entrada principal no lado norte.

Foi precisamente essa semelhança que, em 2019, levou o pesquisador independente Stijn van den Hoven a propor a existência de uma segunda entrada, escondida atrás do misterioso revestimento liso da pirâmide, construída durante o reinado do faraó Menkaure (aproximadamente entre 2490 e 2472 a.C.).

Para investigar a antiga estrutura sem danificá-la, os cientistas empregaram três métodos complementares: radar de penetração no solo (GPR), ultrassom (UST) e tomografia de resistividade elétrica (ERT). A combinação dessas técnicas e um sofisticado método de fusão de imagens permitiu identificar duas anomalias estruturais com alto grau de probabilidade.

Segundo os dados obtidos pela equipe de pesquisa, as cavidades estão localizadas a 1,4 metro e a 1,13 metro, respectivamente, atrás da fachada externa. A primeira anomalia, designada A1, mede aproximadamente 1 metro de altura por 1,5 metro de largura, enquanto a segunda (A2) tem dimensões de 0,9 por 0,7 metro, segundo as medições publicadas na revista de engenharia NDT & E International.

“A metodologia de teste que desenvolvemos nos permite chegar a conclusões muito precisas sobre a natureza do interior da pirâmide sem danificar a valiosa estrutura”, afirmou Christian Grosse, professor de testes não destrutivos da TUM.

“A hipótese de haver outra entrada é muito plausível; nossos resultados nos aproximam muito mais da confirmação disso”, acrescentou.

Essa não é a primeira vez que o projeto Scan Pyramids revela segredos ocultos nas pirâmides egípcias. Em 2023, a equipe confirmou a existência de uma passagem até então desconhecida na Grande Pirâmide de Quéops, a maior de Quéops.

Pirâmides ainda guardam muitos mistérios

Embora seja a menor das grandes pirâmides de Gizé, com aproximadamente 60 metros de altura atualmente (eram cerca de 65 metros em seu projeto original), a de Miquerinos se destaca por ter sobrevivido até os dias de hoje com pouquíssimas alterações desde o Antigo Império.

Para os pesquisadores, essa preservação a torna uma peça fundamental para a compreensão da arquitetura daquela época.

Peter Der Manuelian, professor de egiptologia da Universidade Harvard, que não participou da pesquisa, disse à revista científica Live Science que a descoberta é muito interessante e “mostra que ainda temos muito a aprender sobre as pirâmides de Gizé”.

O especialista ressaltou que, com algumas exceções, as entradas das pirâmides do Antigo Império (entre aproximadamente 2649 e 2150 a.C.) estão localizadas na face norte, tornando a possível entrada oriental na pirâmide de Miquerinos ainda mais enigmática.

A pesquisa foi conduzida sob a supervisão do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito e do Ministério do Turismo e Antiguidades, e contou com o apoio de diversas instituições, incluindo a Autoridade de Financiamento de Ciência, Tecnologia e Inovação, a Dassault Systèmes, a NHK e várias universidades e empresas de tecnologia.

Os cientistas alertam que, embora os resultados sejam promissores, análises adicionais são necessárias para compreender completamente a natureza e a função dessas cavidades recém-descobertas.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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