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Quando ensinar é mais do que método, é presença

08/01/2026

Mariana Brito Ferreira descobriu muito cedo que educar vai além de planos de aula, métodos ou conteúdos programáticos. Aos dezoito anos, após concluir de forma autodidata um curso intensivo de inglês pelo método Kumon, ela já estava em sala de aula, ensinando crianças e acompanhando de perto os primeiros passos de quem começava a se alfabetizar em outro idioma. Desde então, sua trajetória passou a ser guiada menos por fórmulas prontas e mais pela atenção ao ritmo, às emoções e às singularidades de cada aluno.

A experiência como instrutora no Kumon foi o primeiro contato com a diversidade de perfis dentro do processo de aprendizagem. Mariana trabalhou com alunos de diferentes idades, níveis e desafios, compreendendo na prática que nenhum método é eficaz sem a sensibilidade do educador. Durante a pandemia, esse entendimento se aprofundou quando precisou adaptar conteúdos e estratégias para o ensino remoto, conciliando aulas online e acompanhamento individual em um período de incertezas e limitações.

Um dos capítulos mais marcantes de sua formação aconteceu durante o estágio em educação especial na rede SESI. Ali, Mariana teve contato direto com crianças com autismo, paralisia cerebral e síndrome de Down, participando da adaptação de atividades, provas e rotinas escolares. Embora a educação especial não fosse sua área de especialização inicial, a vivência trouxe aprendizados profundos sobre inclusão, empatia e presença. O ambiente, que ela descreve como acolhedor e afetivo, reforçou sua convicção de que ensinar também é criar segurança emocional para que o aprendizado aconteça.

Na sequência, veio o desafio da docência bilíngue em uma escola de método de imersão, no interior de São Paulo. Mariana assumiu quatro turmas de crianças entre três e seis anos, todas com instrução exclusivamente em inglês. A adaptação não foi simples. Muitos alunos enfrentavam dificuldades com o idioma e havia alta rotatividade de professores, além da presença significativa de crianças da educação especial com apoio limitado. Foi nesse contexto que sua experiência prévia fez diferença. Mariana construiu vínculos, adaptou estratégias e conduziu suas turmas até o fim do ano letivo, vivenciando um dos momentos mais simbólicos de sua carreira ao formar trinta e cinco crianças do pré para o primeiro ano.

Mariana Brito Ferreira

Entre tantas histórias, uma em especial permanece como síntese de sua atuação. Um aluno de sete anos, no espectro autista e com dificuldades de atenção, encontrou na música em inglês uma forma de aprender e se expressar. O vídeo enviado pela mãe, com a criança cantando as canções trabalhadas em sala, confirmou aquilo que Mariana sempre acreditou: a dedicação silenciosa do educador deixa marcas profundas, mesmo quando não são imediatamente visíveis. São momentos como esse que dão sentido à rotina e reforçam a escolha pela educação.

Hoje, vivendo a experiência como au pair nos Estados Unidos, Mariana carrega na bagagem tudo o que construiu no Brasil. O cuidado com crianças, a produção de atividades adequadas e o uso do inglês no cotidiano dialogam diretamente com sua formação e ampliam sua visão pedagógica. A experiência internacional não representa uma ruptura, mas a continuidade de um caminho construído com afeto, responsabilidade e escuta.

A trajetória de Mariana Brito Ferreira mostra que ensinar não é apenas aplicar conteúdos, mas estar presente. É perceber quando a criança precisa de tempo, quando precisa de estímulo e quando precisa apenas ser acolhida. Em cada sala de aula, no Brasil ou no exterior, sua história reafirma que a educação acontece no encontro entre conhecimento e humanidade.

Karoline Kantovick

Jornalista, pós-graduada em Marketing Digital e mestranda em Comunicação, atua há 14 anos com assessoria de imprensa. Ao longo da carreira, já atendeu mais de 300 contas em diferentes segmentos, desenvolvendo estratégias de visibilidade e relacionamento com a mídia.

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