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Reações a Epstein nos EUA contrastam com as do Reino Unido – 11/02/2026 – Lúcia Guimarães

Homem idoso de perfil olhando para a direita, veste terno azul escuro, camisa branca e gravata clara. Fundo neutro desfocado.

As revelações sobre os crimes sexuais cometidos por Jeffrey Epstein podem derrubar um primeiro-ministro e começam a se tornar uma ameaça existencial para a monarquia do Reino Unido.

Revelações ainda mais graves contidas nos arquivos recém-publicados levaram o procurador-geral adjunto dos EUA, Todd Blanche, a declarar que não há motivo para indiciar mais ninguém contra os múltiplos cúmplices do falecido Epstein.

A única pessoa condenada pelos crimes, Ghislaine Maxwell, foi transferida pelo mesmo Blanche a uma prisão de segurança mínima apelidada de “club fed” —uma penitenciária federal com regalias, reservada a detentas não violentas.

Na segunda-feira (9), Maxwell se recusou a responder perguntas numa audiência via Zoom com o Congresso, e seu advogado avisou que ela só vai contar o que sabe se Donald Trump antes lhe conceder um indulto. Esta é a mulher que Trump disse a um delegado da Flórida que precisava ser investigada porque era “do mal.”

O escândalo Epstein adquiriu tentáculos internacionais, arrastando figuras públicas na Europa e na Ásia. Em um dos emails mais sinistros, Epstein agradece a Sultan Ahmed bin Sulayem, empresário dos Emirados Árabes Unidos, por ter lhe enviado um vídeo contendo tortura.

“Adorei o vídeo da tortura,” escreveu o monstro. A identidade de Sulayem, oculta na imagem, foi confirmada por um deputado republicano que consultou o arquivo não censurado. O facínora emirati controla a DP World, que opera o megaterminal no porto de Santos.

Mas o contraste de repercussões nos EUA e no Reino Unido surpreende mais pela proximidade histórica e cultural dos dois países. O rei Charles 3º foi vaiado nas ruas duas vezes nas últimas semanas, e sabe-se que ele está abalado pela indignação pública com a impunidade de seu irmão Andrew, que foi defenestrado do seio da família real em outubro.

A realeza esperou só 15 anos depois de divulgada a foto de Andrew abraçando a menor de idade Virginia Giuffre, morta por suicídio no ano passado, para tomar-lhe o título de príncipe. Nos debates da mídia britânica, comentaristas indagam se a monarquia vai resistir a um eventual indiciamento e prisão de Andrew Mountbatten-Windsor.

E, por falar neste sobrenome, ele foi originado pelo lorde Louis, um notório violador sexual de meninos, o primo adorado de Charles, assassinado pelo Exército Republicano Irlandês em 1979. Charles Dance interpretou o lorde na série “The Crown”.

O mandato do primeiro-ministro Keir Starmer atravessa uma fase precária porque ele nomeou o vigarista Peter Mandelson embaixador na corte de Donald Trump. Mandelson foi derrubado duas vezes no governo Tony Blair por corrupção financeira, não por ter, durante uma visita oficial, em 1998, caído na esbórnia em boates gays como a famosa Le Boy de Copacabana, onde não sabemos se encontrou seu hoje marido brasileiro.

Se a prisão de Andrew acontecer, seria provavelmente por corrupção cometida como enviado comercial do Reino Unido, não por ter encomendado 40 prostitutas em seu quarto de hotel na Tailândia, também em viagem oficial.

E nos EUA? Marjorie Taylor Greene, agora ex-deputada Maga, contou ao jornal The New York Times que o presidente, furioso com seu apoio às vítimas de Epstein, telefonou para ela e gritou: “Meus amigos vão ser prejudicados!”



Fonte ==> Folha SP

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