38 anos depois de uma noite histórica no Copacabana Palace, Ricardo Bellino volta ao 8 de agosto para revisitar uma trajetória marcada por encontros improváveis — e anunciar seu próximo capítulo: transformar relacionamentos em capital.
Há datas que entram para a agenda. Outras parecem atravessar uma vida inteira. Para o empresário, autor e dealmaker brasileiro Ricardo Bellino, o dia 8 de agosto pertence definitivamente à segunda categoria.
Em 08 de agosto de 1988, o Golden Room do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, recebeu a primeira edição brasileira do concurso da Elite Models, iniciativa que marcaria um dos capítulos mais importantes do início de sua trajetória empresarial.
O evento ganhou um nome que também carregava a criatividade de uma época: Ellus Looking — The Look of The Year Brazil, batizado pelo publicitário Nizan Guanaes, amigo de Bellino.
Agora, em 08/08/2026, exatos 38 anos depois, Bellino volta à mesma combinação simbólica de números para celebrar não apenas o caminho percorrido, mas principalmente aquilo que pretende construir a seguir.
É uma história que começa com modelos e chega aos Dealmakers.
Ou, como Bellino passou a defini-la:
Da Elite Models à Elite dos Negócios.
O simbolismo do 8
Bellino costuma atribuir às decisões muito mais importância do que ao destino. Ainda assim, é difícil ignorar a simbologia que envolve as duas datas:
08/08/88 → 08/08/26
Em diferentes tradições numerológicas, o número 8 é associado a realização, liderança, prosperidade, responsabilidade e capacidade de materialização.
Não se trata de ciência nem de uma previsão sobre o futuro, mas de uma linguagem simbólica que, neste caso, parece feita sob medida para uma trajetória marcada por sucessivos ciclos de reinvenção.
Há ainda uma imagem particularmente sugestiva.
Quando colocado na horizontal, o 8 se transforma no símbolo do infinito:
∞
Talvez a melhor metáfora para Bellino não esteja, portanto, na repetição do número, mas na ideia de continuidade.
Porque sua história profissional nunca seguiu exatamente uma linha reta.
Antes da Elite, havia um courier em Nova York
Três anos antes daquela noite no Copacabana Palace, Bellino havia desembarcado em Nova York, em 1985, trabalhando como courier da DHL.
Entre aquele jovem percorrendo as ruas de Manhattan e o empresário que posteriormente se tornaria sócio de John Casablancas na operação brasileira da Elite Models existe uma sucessão improvável de encontros, riscos, recusas e oportunidades.
Agora, quatro décadas depois, Bellino decidiu revisitar alguns desses momentos em um filme-documentário que será exibido durante a celebração de 8 de agosto.
O projeto utiliza recursos de inteligência artificial para recriar cinematograficamente passagens de sua trajetória para as quais não existiam registros audiovisuais completos.
Uma delas é justamente seu desembarque em Nova York.
A proposta não é substituir a memória por uma versão artificial da história, mas utilizar a tecnologia como uma nova linguagem para representar acontecimentos vividos muito antes de todos carregarem uma câmera no bolso.
E existe outro momento inevitável nessa reconstrução.
Os três minutos que mudaram tudo
Anos depois, Bellino entraria em uma reunião com Donald Trump para apresentar um projeto.
O encontro tinha tudo para terminar antes mesmo de começar. Bellino ouviu que teria apenas três minutos para apresentar sua ideia.
A limitação, que poderia ter sido interpretada como uma rejeição antecipada, acabou se transformando em uma das histórias mais conhecidas de sua carreira.
A conversa avançou, a relação comercial aconteceu e a experiência posteriormente deu origem ao livro internacional You Have 3 Minutes!, publicado pela McGraw-Hill.
A famosa reunião também é recriada no documentário com recursos de inteligência artificial.
Existe certa ironia poética nisso: uma das tecnologias que melhor representam o futuro sendo utilizada para reconstruir os três minutos do passado que ajudaram a definir o futuro de Bellino.
O episódio também cristalizou uma filosofia que atravessaria seus projetos seguintes: grandes oportunidades raramente chegam com aparência de grandes oportunidades.
- Às vezes chegam disfarçadas de problema.
- De rejeição.
- De impossibilidade.
- Ou de três minutos no relógio.
Da Elite Models à Elite dos Negócios
Quando se observam 1988 e 2026 lado a lado, surge uma conexão que talvez somente a distância de quase quatro décadas permita enxergar.
Na Elite Models, Bellino procurava aproximar talentos extraordinários de grandes oportunidades.
Hoje, no universo dos negócios, sua busca continua surpreendentemente parecida: aproximar pessoas extraordinárias de oportunidades extraordinárias.
Mudaram a indústria, a tecnologia, os personagens e o tamanho da rede. A essência permaneceu.
É daí que nasce a expressão escolhida para simbolizar este novo ciclo: “Da Elite Models à Elite dos Negócios.”
Mais do que um jogo de palavras, ela descreve a evolução de uma obsessão profissional: identificar aquilo que ainda não parece óbvio e conectar as pessoas capazes de transformá-lo em realidade.
A alfaiataria dos Dealmakers
Essa filosofia acabou dando origem à Dealmakers Academy, concebida como uma formação para empresários, executivos e empreendedores desenvolverem habilidades de negociação, identificação de oportunidades e construção estratégica de relacionamentos.
Bellino, entretanto, rejeita a ideia de transformá-la simplesmente em uma escola de massa.
Sua definição é outra:
“A Dealmakers Academy é uma alfaiataria de formação.”
A metáfora ajuda a explicar o modelo.
Uma alfaiataria não produz milhões de peças idênticas. Trabalha com proximidade, personalização, repertório e intervenção humana.
Mas essa característica também colocou Bellino diante de um novo dilema: como escalar o capital de relacionamento sem industrializar aquilo que deveria permanecer humano?
A resposta começou a surgir com um novo projeto.
Da experiência de um homem à inteligência de uma plataforma
O desafio era maior do que simplesmente digitalizar uma metodologia. Como transformar décadas de experiências, conexões, erros, acertos e capacidade de conectar pessoas em um sistema capaz de gerar valor sem depender permanentemente da intervenção pessoal de seu fundador?
Foi dessa provocação que nasceu a construção tecnológica da MYDEALS, desenvolvida com a participação da OPAH IT e de seu fundador e CEO, João Moressi.
O desafio colocado à tecnologia não era construir mais uma plataforma de networking. Era tentar algo mais ambicioso:
transformar capital de relacionamento em inteligência acionável e escalável.
Moressi resume essa visão:
“Quando Ricardo me apresentou a MYDEALS, percebi que o desafio não era criar mais uma plataforma. Era transformar quatro décadas de experiência conectando pessoas e oportunidades em inteligência capaz de escalar. Tecnologia só faz sentido quando resolve um problema real. E aqui o problema é fascinante: todos temos um patrimônio de relacionamentos, mas raramente sabemos enxergar seu verdadeiro valor. A MYDEALS nasce para tornar esse capital visível e acionável sem substituir o humano, mas potencializando aquilo que só o humano consegue construir: confiança.”
João Moressi, fundador e CEO da OPAH IT
A última palavra escolhida por Moressi talvez sintetize melhor do que qualquer algoritmo aquilo que Bellino vem construindo há quatro décadas: confiança.
Porque tecnologia pode organizar dados. Inteligência artificial pode identificar padrões. Uma plataforma pode aproximar interesses e oportunidades.
Mas nenhum deles cria, sozinho, o ativo que antecede os grandes negócios: a confiança entre pessoas.
É justamente nesse encontro entre tecnologia e relações humanas que Bellino pretende posicionar a MYDEALS.
MYDEALS: quando relacionamento passa a ser tratado como capital
A MYDEALS nasce a partir de uma tese aparentemente simples: praticamente todo empresário possui um patrimônio de relacionamentos, mas poucos sabem mensurá-lo, organizá-lo ou ativá-lo estrategicamente.
São anos — às vezes décadas — de contatos distribuídos por agendas, celulares, mensagens, redes sociais e, principalmente, pela memória.
O ativo existe. O que faltava era uma forma de administrá-lo como capital. A proposta da MYDEALS é mudar essa lógica.
Em vez de ser mais uma rede criada para acumular conexões, a plataforma pretende funcionar como uma gestora de capital de relacionamento, aproximando empresas, pessoas, necessidades e oportunidades e transformando know-who em inteligência para negócios.
Foi essa ambição que levou a BusinessWeek a apresentar a iniciativa pela provocativa expressão “Bloomberg dos Dealmakers” — uma analogia conceitual para explicar a proposta de organizar informações antes dispersas e transformá-las em inteligência acionável para negócios.
Bellino, porém, estabelece uma distinção fundamental:
Networking acumula contatos.
Capital de relacionamento atribui propósito a eles.
E é justamente aí que Academy e MYDEALS passam a ocupar papéis complementares dentro do mesmo ecossistema:
A Dealmakers Academy é uma alfaiataria de formação.
A MYDEALS é uma gestora de capital de relacionamento.
Uma forma pessoas capazes de identificar, estruturar e realizar negócios.
A outra pretende oferecer a infraestrutura para que esse processo continue acontecendo depois que a formação termina.
Durante grande parte de sua carreira, Bellino foi pessoalmente o elo entre pessoas e oportunidades. A MYDEALS representa a tentativa de transformar parte dessa capacidade em um sistema capaz de trabalhar em escala.
Não para substituir o elemento humano — justamente como observa Moressi —, mas para potencializá-lo.
Porque, no final, por trás de qualquer tecnologia, algoritmo ou grande deal, continua existindo algo que nenhuma plataforma consegue fabricar: confiança.
Um anúncio cercado de simbolismo
A escolha do local para esse anúncio também carrega significado pessoal.
Bellino celebrará o novo ciclo na sede da Dinastia, de sua amiga Carol Paiffer, a quem descreve como sua “cofundadora espiritual da Dealmakers Academy”.
Ali serão apresentados o documentário e oficialmente a MYDEALS.
Passado, presente e futuro dividindo o mesmo palco.
- O jovem courier de 1985.
- O empreendedor da Elite de 1988.
- O homem diante de Donald Trump e seus três minutos.
- O criador da Dealmakers Academy.
E agora o empreendedor tentando transformar aquilo que aprendeu durante quatro décadas sobre pessoas, confiança e oportunidades em uma infraestrutura capaz de existir para além de sua própria agenda.
Os deals que não aparecem no balanço
Há ainda uma conexão especialmente apropriada com outro capítulo recente da trajetória de Bellino.
Poucos dias antes desta celebração, ele publicou no Forbes Business Council o artigo “The Most Important Deals May Never Appear On A Balance Sheet”.
A tese parece sintetizar perfeitamente o momento. Ao longo de uma carreira, algumas das maiores criações de valor não começam com dinheiro.
- Começam com pessoas.
- Com alguém que apresenta alguém.
- Com uma confiança construída anos antes de existir um negócio.
- Com uma conversa inesperada.
- Com uma porta entreaberta.
- Ou com três minutos concedidos quando aparentemente não havia tempo algum.
Talvez seja exatamente por isso que a apresentação da MYDEALS neste 8 de agosto represente mais do que o lançamento de uma plataforma.
É uma passagem entre duas eras da mesma trajetória.
Em 1988, Bellino buscava talentos. Em 2026, busca organizar o capital capaz de conectar talentos, empresas e oportunidades.
Da Elite Models à Elite dos Negócios, talvez o negócio tenha mudado muito menos do que parece. O negócio sempre foram as pessoas.
08/08/88 → ∞ → 08/08/26 – Trinta e oito anos separam as duas datas.
Em 08/08/1988, Ricardo Bellino estava no Golden Room do Copacabana Palace participando da construção de uma plataforma para encontrar novos talentos.
Em 08/08/2026, estará diante de uma tela assistindo à recriação de alguns dos momentos que construíram sua própria história — enquanto apresenta uma plataforma concebida para encontrar conexões e oportunidades.
O paralelo talvez seja perfeito demais para não provocar reflexão.
Depois de quatro décadas empreendendo, Bellino parece menos interessado em transformar sua trajetória em monumento do que em utilizá-la como matéria-prima para o próximo capítulo.
Talvez essa seja a verdadeira mensagem escondida por trás dos números.
08/08/88 não foi apenas uma chegada. Foi um começo.
E 08/08/26 tampouco pretende ser uma comemoração do passado.
Será outro começo.
Porque algumas histórias servem para explicar de onde viemos. Outras servem para revelar para onde estamos indo. E as melhores talvez consigam fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Da Elite Models à Elite dos Negócios. Do passado que ensinou ao futuro que está sendo construído.
E, para Ricardo Bellino, o 8 de agosto marca novamente aquilo que sempre o moveu: o primeiro dia do próximo deal.
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