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Rússia pode estar posicionando novos mísseis em antiga base em Belarus, diz agência | Mundo

Vladimir Putin — Foto: Alexander Kazakov/AP

A Rússia pode estar posicionando novos mísseis balísticos com capacidade nuclear em uma antiga base aérea no leste de Belarus. O movimento, se confirmado, pode ampliar a capacidade da Rússia de lançar mísseis por toda a Europa, de acordo com a análise de dois pesquisadores americanos baseada em imagens de satélite e que a Reuters teve acesso.

Segundo uma fonte consulta pela agência, a avaliação dos pesquisadores está em grande parte de acordo com os achados da inteligência dos EUA.

O presidente russo, Vladimir Putin, deixou claro seu objetivo de colocar mísseis Oreshnik com alcance estimado de até 5.500 km, em Belarus.

A localização exata não havia sido divulgada anteriormente.

O posicionamento dos Oreshniks evidenciaria a crescente dependência do Kremlin da ameaça nuclear, enquanto tenta impedir que países da Otan forneçam armas a Kiev capazes de atingir o território russo.

A Embaixada russa em Washington não respondeu aos pedidos de comentário. A Embaixada de Belarus se recusou a comentar.

A agência estatal de notícias Belta citou o ministro da Defesa, Viktor Khrenin, na quarta-feira, dizendo que a implantação dos Oreshniks não alteraria o equilíbrio de poder na Europa e seria “nossa resposta” às “ações agressivas” do Ocidente.

A Casa Branca não respondeu a pedidos de comentário, e a CIA se recusou a comentar.

Estratégia russa revisada

Os pesquisadores Jeffrey Lewis, do Middlebury Institute of International Studies, na Califórnia, e Decker Eveleth, da organização de pesquisa e análise CNA, na Virgínia, afirmaram que sua descoberta sobre a implantação dos Oreshniks se baseia em imagens da Planet Labs, uma empresa comercial de satélites, que exibiam características típicas de uma base de mísseis estratégicos russos.

Lewis e Eveleth afirmam estar 90% certos de que lançadores móveis dos Oreshniks seriam posicionados na antiga base aérea perto de Krichev, cerca de 307 km a leste da capital de Belarus, Minsk, e 478 km a sudoeste de Moscou.

Em novembro de 2024, Moscou testou um Oreshnik armado convencionalmente – chamado de “Hazel tree” em russo – contra um alvo na Ucrânia. Putin afirma que o míssil é impossível de ser interceptado, atingindo velocidades que, segundo relatos, ultrapassam Mach 10.

O presidente russo planeja implantar a arma “em Belarus para estender seu alcance ainda mais na Europa”, disse John Foreman, especialista do Chatham House que atuou como adido de defesa britânico em Moscou e Kiev.

Foreman também vê tal medida como reação à implantação planejada na Alemanha no próximo ano pelos EUA de mísseis convencionais, incluindo o hipersônico de alcance intermediário Dark Eagle.

A implantação dos Oreshniks ocorreria poucas semanas antes do término do tratado New Start de 2010, o último acordo EUA-Rússia que limita o posicionamento de armas nucleares estratégicas pelas maiores potências nucleares do mundo.

Após reunião em dezembro de 2024 com Alexander Lukashenko, Putin afirmou que os Oreshniks poderiam ser estacionados em Belarus na segunda metade deste ano, parte de uma estratégia revisada na qual Moscou está posicionando armas nucleares fora de seu território pela primeira vez desde a Guerra Fria.

Na semana passada, Lukashenko disse que os primeiros mísseis haviam sido implantados, sem mencionar a localização, e afirmou que até 10 Oreshniks seriam baseados em Belarus.

Os pesquisadores americanos avaliaram que o local é grande o suficiente para acomodar apenas três lançadores, e que outros podem estar baseados em outro local.

O presidente dos EUA, Donald Trump, trabalha para chegar a um acordo com Moscou para encerrar a guerra na Ucrânia, que vem solicitando aos aliados ocidentais o envio de armas capazes de atingir o interior da Rússia.

Por enquanto, Trump rejeitou o pedido de Kiev por mísseis de cruzeiro Tomahawk, capazes de atingir Moscou. Reino Unido e França forneceram mísseis de cruzeiro à Ucrânia. Em maio, a Alemanha anunciou que coproduzirá mísseis de longo alcance com a Ucrânia, sem limites de alcance ou alvo.

Os pesquisadores americanos disseram que a análise das imagens da Planet Labs revelou um projeto de construção apressado, iniciado entre 4 e 12 de agosto, mostrando características consistentes com uma base de mísseis estratégicos russos.

Uma “dica evidente” em uma foto de 19 de novembro é um “ponto de transferência ferroviário militar” cercado por uma cerca de segurança, para onde mísseis, lançadores móveis e outros componentes poderiam ser entregues por trem, disse Eveleth.

Outra característica, segundo Lewis, é o despejo, no final da pista, de uma laje de concreto coberta depois com terra, que ele chamou de “consistente com um ponto de lançamento camuflado”.

Pavel Podvig, especialista em forças nucleares russas baseado em Genebra, disse estar cético quanto a uma vantagem militar ou política adicional para Moscou com a implantação do Oreshnik, além de tranquilizar a Belarus sobre sua proteção.

“Não vejo como isso seria visto no Ocidente como algo diferente de serem implantados na Rússia”, disse ele.

Mas Lewis afirmou que a implantação do Oreshnik em Belarus destaca como o posicionamento de armas nucleares fora do território russo envia uma “mensagem política” sobre a crescente dependência da Rússia delas.

“Imagina se colocássemos um Tomahawk nuclear na Alemanha, em vez de apenas os convencionais?”, disse Lewis. “Não há motivo militar para colocar o sistema na Belarus, apenas político.”

Vladimir Putin — Foto: Alexander Kazakov/AP



Fonte ==> Exame

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