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Sem mencionar Trump, Lula diz que ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina | Brasil

Sem mencionar Trump, Lula diz que ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina | Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas à presença militar dos EUA nos mares do Caribe e na costa da Venezuela durante seu discurso na cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE) neste domingo (9).

“A ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justiçar intervenções ilegais. Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional”, declarou o presidente.

Lula deixou Belém, onde ocorre a COP30para estar presente no evento em Santa Marta, na Colômbia, diante dos momentos de tensão vividos pela América Latina. O presidente já havia dito que considerava a cúpula um local adequado para discutir a presença militar dos EUA nas regiões costeiras do Caribe e da Venezuela, após o governo de Donald Trump ter bombardeado algumas embarcações, com o argumento de combate ao narcotráfico.

O presidente foi aconselhado por auxiliares a evitar fazer acenos de alinhamento à Venezuela em meio às negociações comerciais com os Estados Unidos após o tarifaço.

Lula afirmou que a América Latina e o Caribe vivem “uma profunda crise em seu projeto de integração” e disse que a região voltou a ser balcanizada e dividida e mais voltada para fora do que para si própria.

“A intolerância ganha força e vem impedindo que diferentes pontos de vista possam se sentar à mesma mesa. Voltamos a conviver com as ameaças do extremismo político, da manipulação da informação e do crime organizado”, disse o presidente.

O chefe de estado brasileiro fez críticas à ausência de líderes em encontros de países da América Latina e do Caribe: “Vivemos de reunião em reunião, repletas de ideias e iniciativas que muitas vezes não saem do papel. Nossas Cúpulas se tornaram um ritual vazio, dos quais se ausentam os principais líderes regionais”, ressaltou.

Lula dedicou parte importante do discurso à defesa por uma integração regional no combate à criminalidade. O presidente afirmou que a segurança é um dever do Estado e um direito humano fundamental e que não existe solução mágica para acabar com a criminalidade.

Ele voltou a defender a necessidade de reprimir o crime organizado e suas lideranças, estrangulando seu financiamento e rastreando e eliminando o tráfico de armas.

“O alcance transnacional do crime coloca à prova nossa capacidade de cooperação. Nenhum país pode enfrentar esse desafio isoladamente. Ações coordenadas, intercâmbio de informações e operações conjuntas são fundamentais para que a gente consiga vencer. Foi com esse objetivo que renovamos o Comando Tripartite da Tríplice Fronteira, com a Argentina e o Paraguai”, declarou o presidente.

COP30 e Acordo Mercosul-UE

Lula também aproveitou a fala para ressaltar a importância da COP30, que acontece em Belém, no Pará. Segundo ele, a cúpula “é uma oportunidade para a América Latina e o Caribe mostrarem ao mundo que conservar as florestas é cuidar do futuro do planeta”. Ele também classificou o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre como “uma solução inovadora para que nossas florestas valham mais em pé do que derrubadas”.

O político também disse esperar que na próxima cúpula do Mercosul, em dezembro, os dois blocos “possam finalmente dizer sim para o comércio internacional baseado em regras como resposta ao unilateralismo”, em referência ao acordo comercial Mercosul-União Europeia

Em sua fala, Lula também fez uma defesa da igualdade de gênero e um apelo para que a América Latina e o Caribe possam abrir o caminho para superar o trabalho invisível e não remunerado das tarefas de cuidado, que recaem de forma desproporcional sobre as mulheres.

“Mulheres que, apesar de representarem mais da metade da população mundial, nunca exerceram a mais alta função das Nações Unidas. É chegada a hora de ter uma latino-americana no cargo de Secretária-Geral da ONU”, afirmou o presidente.



Fonte ==> Exame

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