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SpaceX lança nova versão do foguete Starship – 22/05/2026 – Ciência

Foguete branco sobe em ângulo ascendente no céu azul claro, deixando uma longa e densa trilha de fumaça branca atrás de si.

A SpaceX lançou nesta sexta-feira (22) o Starship, desenvolvido para missões à Lua e a Marte. O voo começou às 19h30 (horário de Brasília) a partir de Starbase, no Texas, Estados Unidos, e durou pouco mais de uma hora

A empresa de Elon Musk contava com um voo de teste bem-sucedido para reforçar seu argumento de que o Starship, o maior e mais poderoso foguete já lançado no mundo, está perto de entrar em operação comercial após anos de contratempos explosivos e atrasos no desenvolvimento. O teste parece ter alcançado a maioria de seus principais objetivos.

Este foi o 12º voo de teste do veículo, formado pelo propulsor Super Heavy (o primeiro estágio) e pela espaçonave Starship (o segundo estágio). O veículo completo, com os dois estágios, também é chamado de Starship. A nova versão tem 124 metros de altura.

Desta vez, não houve tentativa de recuperar o propulsor, uma manobra já realizada antes. Em vez disso, a empresa deixou que ele mergulhasse nas águas do golfo do México seis minutos depois do lançamento.

O segundo estágio lançou uma carga de 20 satélites fictícios e dois satélites Starlink equipados com câmeras para analisar o escudo térmico da espaçonave.

O teste terminou cerca de uma hora depois, quando a nave Starship completou uma reentrada na atmosfera terrestre e pousou no oceano Índico, com o nariz para cima conforme planejado, enquanto funcionários da SpaceX reunidos para assistir à transmissão do voo comemoravam.

O Starship sofreu a perda de 1 dos 6 motores do primeiro estágio, e os controladores de missão optaram por não tentar uma reignição dos motores em voo antes da reentrada.

As missões mais recentes do Starship terminaram com sucesso. Mas em anteriores houve falhas, com destroços observados na região do Caribe e reflexos no espaço aéreo, como o desvio de voos.

O teste da terceira versão é visto como fundamental depois de meses de atrasos. O lançamento também pode afetar a confiança de investidores antes do que pode ser a maior oferta pública inicial da história. A SpaceX busca uma avaliação de US$ 1,75 trilhão.

A empresa de Musk passou meses reprojetando o Starship após uma série de falhas. A ideia era lançá-lo nesta quinta-feira (21), mas, segundos antes da decolagem, o plano não se concretizou. Em um post no X, Musk disse que o pino hidráulico de um dos braços mecânicos gigantes da torre de lançamento não retraiu como projetado.

O desenvolvimento do Starship já consumiu mais de US$ 15 bilhões. O veículo é fundamental para os objetivos de Musk de reduzir custos de lançamento, expandir a rede de satélites Starlink e perseguir ambições que vão desde exploração espacial profunda até centros de dados orbitais.

Antes da tentativa de lançamento nesta quinta, Musk buscou moderar as expectativas. “Há uma grande linha de produção de naves e propulsores V3 na fábrica”, afirmou ele, acrescentando que uma falha não afetará a cadência dos futuros lançamentos de teste.

A cultura de engenharia da SpaceX, considerada mais tolerante a riscos em comparação à de empresas mais tradicionais da indústria aeroespacial, é construída sobre uma estratégia de testes de voo que leva espaçonaves recém-desenvolvidas ao ponto de falha, para então aprimorá-las.

Planos para a Lua

O voo de teste também importa, e muito, para a Nasa. É esperado que uma versão modificada do foguete Starship sirva como módulo de pouso lunar na Artemis 4.

Essa missão da agência americana quer levar astronautas ao satélite natural em 2028, antes da China. O país asiático pretende enviar uma missão tripulada antes de 2030.

Diante dos atrasos acumulados pelo setor privado, o governo de Donald Trump teme cada vez mais que os Estados Unidos não consigam vencer essa corrida lunar.

Para o físico Scott Hubbard, da Universidade Stanford, as apostas do lançamento são enormes. “O governo tomou a decisão de se aliar a atores privados para levar humanos de volta [à Lua], e agora essas pessoas precisam corresponder”, disse ele, que foi diretor do centro de pesquisa Ames, da Nasa. “Há muito em jogo.”

Antoine Grenier, responsável pelo setor espacial na consultoria Analysys Mason, afirmou que, “se o lançamento ocorrer sem contratempos, ele abrirá caminho para mais infraestrutura espacial e contratos lunares”.

Além da SpaceX, a concorrente Blue Origin, de Jeff Bezos, busca desenvolver um módulo de pouso lunar. Ambas as companhias redirecionaram sua estratégia para priorizar missões lunares.

Na Artemis 3, em 2027, a Nasa pretende testar um encontro em órbita entre a nave espacial Orion e um ou dois módulos lunares. Contudo, especialistas do setor demonstram ceticismo em relação à capacidade das duas empresas de alcançar esses objetivos a tempo.

Um dos principais obstáculos é demonstrar a capacidade de reabastecer propelente super-resfriado em órbita, etapa essencial para fornecer energia aos motores de um foguete e que nunca foi testada em missões de longa duração.

“Esperemos que consigam, mas é um grande desafio de engenharia”, disse Hubbard.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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