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Tecnologias, habilidades e comportamentos que guiarão 2026

Tecnologias, habilidades e comportamentos que guiarão 2026

Você sabe, de fato, reconhecer os early signs? São os primeiros indícios de que algo dará certo ou fracassará. Desenvolver essa leitura exige movimento contínuo: escuta atenta, ler com profundidade, viajar com intenção, expandir o capital relacional e decodificar padrões do passado para ter repertório suficiente para desenhar o presente e antecipar o futuro.
Nos últimos dois meses, estive duas vezes em Las Vegas e uma em San Francisco, imersa nos principais eventos de big techs como Oracle, Salesforce e Amazon Web Services (AWS). Ambientes que reúnem empresas de todos os segmentos e portes, e onde o futuro não é cogitado – é testado.
Aqui, compartilho os insights e as provocações sobre negócios, comportamento e tecnologia, e que devem orientar 2026. Uma direção é inequívoca: a resposta continua sendo humana. Quem quiser avançar precisará ler, antes de tudo, as mudanças de comportamento da sociedade, e, só então, integrar tecnologia e estratégia de negócios.
  1. Ter medo é uma má decisão sobre Inteligência Artificial. A AI está no centro de tudo que vai acontecer no mundo dos negócios e nas nossas vidas. Estude, teste, entenda os riscos e as oportunidades. Vivencie o que essa tecnologia pode oferecer. A coragem de aprender a reaprender é atributo vital na hora de escolher uma direção diante de opções complexas.
  1. Agentes de IA começarão a gerar retorno do investimento em 2026. O uso de inteligência artificial generativa e dos agentes de IA provocará uma reestruturação do mercado, especialmente nas ferramentas de produtividade. Os agentes trazem mais autonomia, mais agilidade e uma expectativa alta de gerar mais Retorno do Investimento, algo que em 2025 ainda não foi possível na maior parte dos projetos, já que esse foi um ano de experimentações.
  1. Um umdoção de IA é responsabilidade de todos na organização. A TI assumirá cada vez mais o papel de orquestradora, mas são as áreas de negócios que assumem o papel de identificar as principais dores que os agentes de IA devem endereçar. Isso faz com que os líderes de negócios precisem se qualificar para entender como essa tecnologia poderá, de fato, contribuir.
  1. Guerra Fria Tecnológica: A tecnologia está no centro de uma disputa geopolítica, e isso vai se acirrar em 2026, especialmente em áreas como a IA e semicondutores. As disputas, especialmente entre EUA e China, já levaram à interrupção de cadeias de suprimentos, alteraram antigas alianças e alimentam uma competição por recursos e tecnologias essenciais, como no caso do controle das terras raras, com seus minerais críticos para a criação de carros, smartphones e tudo que for produto de futuro. É um ambiente de volatilidade, que não tem sinais de arrefecer no próximo ano.
  1. Atenção a essas técnicas profundas. As deep techs, empresas baseadas em tecnologias científicas, têm o potencial de impactar o mundo. Com o entendimento mais maduro sobre essas empresas, em 2026 deveremos ver mais projetos de aplicação e investimentos, como tratamento de doenças, exploração espacial, biotecnologia, futuro da computação e aquecimento global. São empresas de alta intensidade de P&D, com um ciclo de vida de desenvolvimento de produto mais longo, mas capazes de resolver desafios complexos e reais da sociedade.
  1. Intencionalidade, humildade e cooperação. A humildade intelectual é virtude fundamental para os líderes de negócios dessa era exponencial. Cada vez mais será importante ser intencional ao se apropriar das possibilidades geradas pela IA. Isso envolve buscar novos conhecimentos e testar as ferramentas no dia a dia, inclusive na vida pessoal, para entender como funciona e gerar segurança e confiança aos times. Cooperar com outros executivos, trocar percepções e compartilhar erros e acertos será um acelerador de resultados.
  1. A IA vai tirar meu trabalho? Vai me tornar obsoleto? Não, mas isso depende da postura que você irá adotar. Até 2030, o mercado de trabalho vai viver uma mudança estrutural gigante.
– 170 milhões de empregos serão criados pela inteligência artificial;
– 92 milhões de empregos serão destruídos;
– Isso significa 78 milhões de novas oportunidades de emprego até 2030.
Como aproveitar essa mudança com olhar para a oportunidade? Se qualificando, assumindo o protagonismo desse jogo.
  1. Atrofia das habilidades. O uso indiscriminado da IA generativa já está afetando a nossa capacidade cognitiva e criativa – e isso irá acelerar. Estudo do Gartner aponta que, até 2026, 50% das organizações globais, ao contratar talentos, exigirão avaliações de habilidades “livres de IA”, como capacidade de resolução de problemas, análise de evidências e julgamento sem a assistência da IA.
  1. Humanos e máquinas coexistindo. O futuro não é sobre substituir humanos, é sobre potencializá-los. Não tente competir com a IA, use-a para exponencializar as suas capacidades. O que só você pode fazer? Lembre: a IA não é inteligente como muitas vezes pensamos – o raciocínio dessas ferramentas é muito pouco desenvolvido. O futuro é sobre elevar o capital humano. Somos a primeira geração a coexistir com agentes de IA. Isso traz o desafio de aprendermos a construir uma aliança produtiva, saudável e ética entre tecnologia e pessoas.
  2. Não deixe a automatização esvaziar seu repertório. O número de conteúdos postados nas redes sociais com o auxílio do ChatGPT superou o volume de conteúdo humano em 2025. Isso merece uma reflexão. Os slops (conteúdos de baixa qualidade) crescem em meio a uma infinidade de pessoas querendo construir “autoridade” no mundo digital rodando trends, fórmulas e prompts. O resultado? Conteúdos óbvios, homogêneos, sem originalidade. Produzir conteúdo é sobre ser autoral, autêntico, profundo. O futuro é de quem sustenta a sua própria identidade e pensamento próprio.



Fonte ==> Folha SP

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