Milhões de europeus tiveram a oportunidade de acompanhar nesta quarta-feira (12) um eclipse solar total, quando a Lua passa entre a Terra e o Sol e cobre temporariamente a superfície da estrela. O fenômeno pôde ser observado de algumas partes do continente em sua totalidade e de outros locais, de forma parcial.
Ao todo, o eclipse durou menos de duas horas, começando de forma parcial, atingindo a totalidade e tornando a ser parcial.
O eclipse solar total, o primeiro do tipo a ser visível da Europa continental desde 2006, começou na Rússia por volta das 14h (de Brasília). Ele cruzou o hemisfério norte, passou pela Groenlândia e depois pelo Atlântico.
Além de parte da Islândia, atravessou a Espanha em diagonal, do noroeste atlântico até as Ilhas Baleares, no Mediterrâneo, onde terminou por volta das 15h30.
Fora dessa faixa, o fenômeno foi parcial e pôde ser apreciado, por exemplo, de pontos de França, Canadá, Estados Unidos e África Ocidental.
Na capital da Islândia, Reykjavik, os óculos que permitem observar o fenômeno sem prejudicar a visão se esgotaram dias atrás. O país nórdico, de 400 mil habitantes, esperava receber até 80 mil visitantes.
“Fiquei arrepiado”, disse o turista Glenn Rosa, 44, procedente de Houston, no Texas (EUA).
“Na escuridão, olhei para o farol e mal dava para ver. Era como uma luz resplandecente na escuridão que o cercava”, afirmou a professora americana Mylisha Lagegan, 34.
Desde 1433 não se via um eclipse total na capital islandesa.
Uma estreita faixa de totalidade atingiu a costa mais ocidental do país às 14h44, antes que a sombra da Lua avançasse rapidamente para leste.
Na Espanha, o espetáculo foi rápido, já que a fase de totalidade —quando a Lua oculta completamente o Sol— durou menos de dois minutos, no máximo, em algumas áreas.
“Quase começo a chorar, subiu um calafrio pelo corpo, foi lindo”, disse o cientista Alejandro Cuesta, 30, na cidade de Tarragona, cerca de 100 km ao sul de Barcelona. “Deu para ver as manchas solares que saíam avermelhadas”, acrescentou ele, que assistiu ao fenômeno acompanhado da mãe.
Na cidade de Colmenar Viejo, nos arredores de Madri, quando a Lua cobriu o Sol completamente, o clima refrescou e a luz ficou mais tênue.
Tomados pelo assombro, espectadores tiravam fotos e se abraçavam, gritando de alegria. Alguns tocaram as buzinas dos carros.
“Espetacular, muito bonito de verdade. Um momento único”, afirmou a aposentada Rosa María Zamora, 72, que viajou de Madri até Colmenar Viejo.
Em Lodoso, pequeno povoado perto da cidade de Burgos (norte espanhol), centenas de pessoas equipadas com óculos de proteção acompanharam o eclipse encantadas e comemoraram quando a escuridão chegou.
“É a primeira vez e também a última que vou ver um eclipse”, disse a peruana Yenny Guevara, 50, que viajou da França para ver o fenômeno.
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que 25 mil policiais foram mobilizados para garantir a segurança durante a observação do eclipse. Cerca de cem aviões e helicópteros também seriam utilizados.
A Península Ibérica presenciou seu último eclipse solar total em 1912. A região verá outro em 2 de agosto de 2027 e um eclipse anular em janeiro de 2028.
O fenômeno oferece aos cientistas uma oportunidade de estudar a atmosfera do Sol e sua camada mais externa, com a esperança de se aproximar dos segredos dos ventos solares e do campo magnético da estrela.
A Nasa planejava enviar uma aeronave WB-57 a partir da Islândia para acompanhar a sombra da Lua. Equipes financiadas pela agência americana lançariam balões para estudar como a escuridão e o resfriamento repentinos afetam a baixa atmosfera.
A agência dedicou uma live ao evento em seu canal no YouTube. A ESA (Agência Espacial Europeia) também teve uma programação especial em seu canal no YouTube, assim como o Observatório Nacional.
E no Brasil?
Em 6 de fevereiro do ano que vem, os brasileiros poderão ver um eclipse solar anular. Na verdade, a visualização total do anel de fogo será possível a partir dos mares brasileiros. Mas quem estiver em terra, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e em partes do Nordeste, conseguirá acompanhar um eclipse solar parcial, com mais de 70% do Sol encoberto. Em outras áreas do país, o percentual será menor.
E, mais próximo ainda, um eclipse lunar parcial será visível em todo o Brasil na noite de 27 e madrugada de 28 de agosto deste ano. Esse tipo de eclipse ocorre quando a Terra está entre o Sol e a Lua. Isso faz com que a luz solar não atinja a superfície lunar, criando um episódio conhecido como “Lua de sangue”, devido aos tons alaranjados que pintam nosso satélite natural nessa ocasião.
Fonte ==> Folha SP – TEC