O regime da Venezuela rejeitou a oferta de ajuda apresentada pelo presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, para a reconstrução das áreas devastadas pelos terremotos que atingiram o país em 24 de junho.
A resposta oficial ocorreu por meio de nota, na qual Caracas afirmou ter recebido “com estranheza” as declarações do futuro mandatário colombiano e reiterou que a recuperação das regiões afetadas é uma responsabilidade “exclusiva” do estado venezuelano.
A tensão diplomática ocorre enquanto o número de vítimas da tragédia continua aumentando. Neste sábado (11), Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, informou que o total de mortos subiu para 4.333. Desse grupo, 315 vítimas ainda não foram identificadas.
O número oficial de feridos permaneceu em 16.740, enquanto 6.462 pessoas foram resgatadas e cerca de 17 mil ficaram desabrigadas.
Em resposta ao posicionamento do regime venezuelano, a equipe de transição de Abelardo de la Espriella afirmou que a proposta tinha caráter exclusivamente humanitário e regional.
Segundo o comunicado divulgado pelo futuro governo colombiano, a intenção era colaborar com as comunidades afetadas pela tragédia por meio de mecanismos institucionais e em conformidade com o direito internacional.
“As declarações do presidente eleito foram feitas a partir de uma perspectiva de cooperação exclusivamente humanitária e regional, inspirada na convicção de que, diante de tragédias dessa magnitude, os países vizinhos devem estar dispostos a somar capacidades para aliviar o sofrimento das comunidades afetadas”, afirmou a nota.
Presidente eleito colombiano defende cooperação internacional
O governo eleito também ressaltou que a proposta não pretendia interferir na soberania venezuelana, nem substituir as atribuições das autoridades locais. “Em nenhum momento foi considerado ignorar a soberania da Venezuela ou substituir as responsabilidades que correspondem às suas autoridades”, acrescentou o comunicado.
A equipe de Abelardo de la Espriella argumentou ainda que a reconstrução das áreas destruídas representa um desafio que pode se beneficiar da cooperação internacional e da troca de experiências técnicas.
Segundo o texto, a Colômbia dispõe de capacidades logísticas e humanas capazes de contribuir para a remoção de escombros, a recuperação da infraestrutura e a reconstrução das regiões atingidas.
O comunicado citou, inclusive, a experiência dos engenheiros militares colombianos e a participação do setor privado, desde que qualquer iniciativa ocorra por meio de canais institucionais e com o consentimento das duas partes.
Na parte final da manifestação, o governo eleito colombiano afirmou que “as tragédias não distinguem fronteiras ou ideologias” e defendeu que a solidariedade entre países vizinhos deve prevalecer diante de desastres naturais dessa magnitude.
Apesar disso, o regime venezuelano manteve a posição de que a condução do processo de reconstrução cabe exclusivamente às autoridades do país.
Vencedor da eleição presidencial colombiana em junho, Espriella tomará posse em 7 de agosto.
Fonte ==> Gazeta do Povo e Notícias ao Minuto