Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

E se os soviéticos tivessem chegado primeiro à Lua? – 07/06/2026 – Mensageiro Sideral

Rhys Ifans como o projetista-chefe soviético em

Os soviéticos foram os pioneiros da era espacial e obrigaram os EUA a suar a camisa (ou seria o traje pressurizado?) para batê-los na corrida para a Lua, em 1969. Mas o que teria acontecido se o principal artífice do programa espacial soviético, o projetista-chefe Sergei Korolev, não tivesse morrido em 1966, deixando à deriva o esforço de levar seus cosmonautas ao solo lunar? Agora temos a resposta —ao menos na ficção. Esta é a história de “Cidade das Estrelas” (“Star City”), série que estreou no último dia 29, no Apple TV e tem novos episódios lançados toda sexta-feira no serviço de streaming.

Se a premissa de história contrafactual soa familiar, é porque é mesmo. Foi baseada nessa mesma ideia, contada pelo lado americano, que os cocriadores Ronald D. Moore, Matt Wolpert e Ben Nevidi lançaram, em 2019, “For All Mankind”, série que já caminha para sua sexta e última temporada. “Cidade das Estrelas” é uma “derivada/irmã”, cobrindo os mesmos eventos “históricos” de sua originária, mas agora pelo lado soviético.

O resultado é um misto de sci-fi com thriller político que traz, com um sabor tão diferente quão empolgante, o que poderia ter sido a corrida espacial se EUA e URSS não tivessem puxado o freio após as missões Apollo. A primeira temporada da nova série se passa no mesmo período que a equivalente de sua predecessora e retrata o ambiente opressivo e paranoico do regime totalitário soviético como, ao mesmo tempo, viabilizador e sabotador dos planos de Korolev —que, assim como em nossa própria realidade, era chamado apenas de “projetista-chefe”, sem ter sua identidade revelada ao público.

“O projetista-chefe certamente se baseia em Korolev”, confirma em entrevista o cocriador e showrunner Matt Wolpert. “Acho que nem sabíamos quando começamos a pesquisar o quão brilhante ele era”, completa Ben Devidi. “O fato de os soviéticos estarem superando os americanos em todas as etapas do programa espacial se devia em grande parte ao seu gênio. Sentimos que sua morte, que foi numa cirurgia malfeita que não deveria ter acontecido… se ele tivesse sobrevivido, isso teria tido um enorme impacto na história da exploração espacial.”

O responsável por trazer (de volta) à vida o projetista-chefe é o ator britânico Rhys Ifans, que disse ter se inspirado na figura original para conceber sua interpretação. “Realmente me inspirei em sua paixão e determinação inabaláveis por sua forma de arte.” (Confira a entrevista completa com os três no vídeo acima.)

A temporada começa com a primeira alunissagem tripulada soviética na Lua e em seguida passa as artimanhas políticas envolvidas no envio da primeira mulher ao solo lunar, Anastasia Belikova (Alice Englert). E a trama segue daí.

Em que pese ser uma visão americanizada da URSS, há uma boa mistura de realismo e drama, tanto na mão pesada do regime e quanto nas realizações técnicas do programa, apresentado aqui como a melhor versão possível de si mesmo. Apaixonados pela história da exploração espacial vão vibrar ao ver as máquinas então apenas sonhadas realizarem as ambições de Korolev, enquanto aqueles alheios a esses detalhes históricos terão diante de si uma tensa e bem realizada série de suspense, capaz de perturbar a mais sóbria das almas.

Siga o Mensageiro Sideral no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube





Fonte ==> Folha SP – TEC

Relacionados