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Do uniforme à agulha: a trajetória de Ramon Rodrigo entre disciplina e arte

07/02/2026

Ramon Rodrigo Rose Pomponet nasceu no Rio de Janeiro e começou a desenhar ainda criança, influenciado por um tio que fazia caricaturas da família. O hábito de observar, copiar e criar imagens acompanhou a infância e a adolescência, muito antes de qualquer contato com a tatuagem. Aos vinte e um anos, decidiu seguir uma carreira estável e ingressou no Exército Brasileiro. A formação foi intensa, exigente e transformadora. Durante o período como sargento, colegas e instrutores passaram a notar seu talento para desenho e pintura, incentivo que plantaria a semente de uma mudança definitiva.

A descoberta da tatuagem aconteceu de forma simples e curiosa, ainda no quartel. Em dois mil e quinze, um soldado pediu para ser tatuado por Ramon. Com orientação de um artista experiente, ele comprou os materiais e fez a primeira tatuagem. O que começou como experiência por diversão logo revelou um novo território artístico. Trabalhar sobre a pele trouxe desafios técnicos e emocionais que despertaram uma paixão imediata. A estabilidade do cargo militar permitiu que o início fosse leve, sem pressão financeira, favorecendo a dedicação ao estudo e ao aprimoramento.

Poucos meses depois, Ramon participou de sua primeira convenção de tatuagem e foi premiado. O reconhecimento precoce confirmou o caminho escolhido. Desde então, mergulhou em um processo intenso de aprendizado, estudando com grandes nomes da pintura, do desenho e da tatuagem. Definiu com clareza o estilo que desejava seguir, com foco em realismo, retratos e trabalhos em preto e cinza. A busca constante por evolução se tornou regra. Ao longo da carreira, acumulou mais de quarenta e cinco premiações em convenções, incluindo a mais importante do país e um prêmio internacional em Miami.

O reconhecimento ultrapassou fronteiras. Ramon participou de eventos nos Estados Unidos, recebeu elogios de artistas que admirava à distância e transformou referências em relações próximas. Um dos momentos mais simbólicos foi ser reconhecido por David Vegas, considerado por ele um dos maiores artistas do mundo. O encontro, a amizade e o respeito mútuo representaram a materialização de um sonho antigo. Ainda assim, a ambição nunca foi por status, mas por excelência. O objetivo sempre foi ser lembrado pela qualidade do trabalho e pela identidade artística construída com rigor.

Ramon Rodrigo Rose Pomponet

Além da produção autoral, Ramon encontrou sentido em compartilhar conhecimento. Passou a ministrar workshops de tatuagem em diferentes países, orientando novos artistas sobre técnica, estudo e postura profissional. Para quem está começando, seu conselho é direto. Amar a tatuagem, estudar com os melhores, respeitar o próprio tempo e não se comparar. A disciplina aprendida no Exército se transformou em método na arte. Horas de treino, atenção aos detalhes e respeito ao processo passaram a definir sua rotina.

Hoje, vivendo nos Estados Unidos e em processo de mudança para o Texas, Ramon Rodrigo Rose Pomponet carrega uma história que une mundos distintos. Do uniforme à agulha, da rigidez militar à liberdade criativa, construiu uma carreira sólida baseada em paixão, disciplina e entrega. Seu desejo é simples e profundo. Ser lembrado como um artista da sua época que honrou a arte, ensinou outros a crescer e transformou histórias em imagens que permanecem na pele e na memória.

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