Com o começo da implementação da Reforma Tributária no ano que vem – processo que se estenderá até 2033 – as empresas se preparam para colocar em prática importantes mudanças na operação.
O cenário tende a impactar não só a rotina de trabalho, mas também a estrutura da gestão. Os departamentos financeiros devem centralizar a organização da nova configuração, o que demandará grande esforço dos CFOs.
“As mudanças afetam a estrutura de gestão e administrativa da área de finanças, e também a controladoria das empresas. Trata-se de um ponto de suma importância para o negócio, que se traduz no maior desafio para os CFOs em 2026 e nos anos seguintes”, diz Ricardo Rochman, professor do Centro de Estudos em Finanças da FGV EAESP.
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Muitas companhias de capital aberto já avançam nesses processos. Para os CFOs, essa força-tarefa inclui, ainda, a revisão de normas contábeis para assegurar transparência no reporte de informações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao mercado.
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Tributos como estratégia
Para além do processo de implementação, as novas regras trazidas pela Reforma devem impor aos CFOs uma revisão completa do planejamento tributário. Trata-se da reavaliação de uma frente estratégica do negócio, que impacta de forma direta a lucratividade e a sustentabilidade das empresas.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), empresas que adotam um planejamento fiscal eficaz podem reduzir legalmente entre 8% e 20% da carga tributária anual.
“As empresas tratam o tributário como centro de lucro, e não centro de custo. A Reforma deve elevar ainda mais a busca por líderes de finanças com experiência em Imposto nos próximos anos”, diz Guilherme Malfi, sócio-fundador da Assetz Expert Recruitment.
Ciências Contábeis em foco
Uma análise da lista de CFOs do Elite InfoMoney 2025 – levantamento que reúne as 54 empresas que mais crescem com sustentabilidade no Brasil – aponta que Ciências Contábeis é uma das bases de formação dos profissionais, ao lado de graduações de Administração e Economia.
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Sob um olhar mais panorâmico do mercado, o curso de Ciências Contábeis ocupa a terceira colocação na preferência de graduação dos CFOs, atrás de Administração e Engenharia. Os dados fazem parte da pesquisa “O perfil do CFO no Brasil em 2025”, da Assetz Expert Recruitment.
“De forma geral, os líderes de finanças buscam uma primeira graduação ampla e complementam essa formação com uma segunda graduação ou pós pautada na linha de atuação que mais faz sentido para a carreira. A escolha por um aprofundamento em tributação é estratégica, e pode ser decisiva para uma contratação, especialmente neste momento de mudanças nas regras de impostos”, afirma Malfi.
Especialização dita o rumo das finanças
A elite financeira brasileira mantém um padrão claro: os CFOs são cada vez mais especialistas setoriais.
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Conforme a análise dos perfis, mais de 70% dos diretores financeiros atuam no mesmo segmento em que construíram suas carreiras, reforçando uma lógica de especialização verticalizada: energia recruta profissionais de energia; varejo, de varejo; bancos, de bancos.
A mensagem é direta: na cadeira financeira, conhecer profundamente a indústria vale mais do que experiências amplas e transversais.
Essa especialização convive com um fenômeno relevante — a presença consistente de “pratas da casa”. Cerca de 37,7% dos CFOs já estavam na companhia antes da promoção, indicando que a formação interna ainda tem peso.
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Mesmo assim, o percentual é inferior ao observado entre CEOs, o que sugere que a diretoria financeira é mais permeável à competição externa. Em outras palavras, a porta de entrada continua aberta para talentos recrutados no mercado.
Se os promovidos internamente formam um grupo expressivo, os veteranos longevos são rara exceção. Apenas 11% dos CFOs acumulam mais de 18 a 40 anos na mesma empresa, um contraste marcante com padrões históricos das cúpulas executivas.
A carreira financeira gira mais rápido, empurrada por ciclos de mercado, mudanças regulatórias e reestruturações internas. A volatilidade do ambiente corporativo também reduz a probabilidade de trajetórias ultralongas.
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Outro traço marcante é a crescente centralidade do CFO como porta-voz das empresas. Seis em cada 10 executivos acumulam a área de Relações com Investidores, consolidando-se como principais interlocutores do mercado.
A proximidade com acionistas, analistas e reguladores transformou a função em um posto de comunicação estratégica. Na prática, o CFO é hoje tão responsável por narrativa quanto por números.
A formação desses executivos reforça o peso das instituições financeiras no pipeline do C-level. Metade deles passou por bancos, auditorias ou áreas de M&A, num percurso que molda raciocínio analítico e visão de risco.
É um modelo clássico: o mercado forma, as empresas contratam. A combinação de controladoria, auditoria e tesouraria segue funcionando como porta de acesso privilegiada ao topo da função.
Por fim, a renovação da cadeira sinaliza um C-level em transformação. Cerca de 25% dos CFOs assumiram o cargo em 2024 ou 2025, indicando um ciclo de troca acelerado no comando financeiro.
A rotação acompanha mudanças tecnológicas, expectativas crescentes de governança e pressão por eficiência. A mensagem do mercado é clara: não há mais espaço para estagnação.
A lista completa de CFOs do Elite InfoMoney 2025 pode ser conferida aqui.
Fonte ==> Exame