Com a liderança do governo em xeque, o senador Jacques Wagner (PT-BA) incluiu na agenda desta quarta-feira (24), em Brasília, um encontro com o presidente do Senado, David Alcolumbre (União-AP), com quem vive uma relação de altos e baixos. Wagner também tem prevista uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual deve ter seu destino selado.
O senador baiano pretende insistir no argumento de que não há irregularidades nas suas relações com o empresário Augusto Lima e, muito menos, com Daniel Vorcaro e o Banco Mestre. Uma ideia é “cozinhar” o episódio até o recesso parlamentar, quando, espera, o assunto perca a atenção no noticiário. O recesso do Congresso Nacional está previsto para começar em 18 de julho.
Uma das hipóteses para o encontro com Alcolumbre é que Wagner faça um gesto de agradecimento ao presidente do Senado pelo apoio recebido após ter sido alvo da Operação Compliance. O senador também pode aproveitar a conversa para tentar ajudar a destravar uma aguardada reaproximação entre Lula e Alcolumbre, cuja relação atravessa um período de desgaste. Integrantes do governo e do Congresso defendem há semanas uma reunião de “bandeira branca” entre os dois líderes para reduzir tensões e facilitar a tramitação de pautas de interesse do Planalto.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, entretanto, cresce a avaliação de que a permanência de Wagner na liderança do governo no Senado se tornou difícil após ele ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada às investigações do Caso Master. Integrantes do governo defendem que uma eventual saída do cargo ajudaria a reduzir o desgaste político e evitar que o episódio seja explorado pela oposição durante o período pré-eleitoral.
Interlocutores do senador afirmam que ele não pretende transformar a discussão em uma disputa pública e que considera natural uma conversa direta com Lula antes de qualquer definição. A avaliação do petista é que, após quase cinco décadas de convivência política e pessoal com o presidente, uma eventual mudança na liderança deve ser construída em comum acordo, evitando a interpretação de que teria sido afastado do posto.
Segundo aliados, Wagner não faz questão de permanecer no cargo a qualquer custo, mas busca preservar o que considera um princípio político: o de que não pode ser tratado como culpado sem que haja acusação formal. O senador tem repetido a interlocutores que não é réu nem foi denunciado no âmbito das investigações e que pretende continuar apresentando sua versão dos fatos ao presidente.
O incômodo do parlamentar aumentou diante da movimentação de setores do governo que passaram a defender publicamente sua substituição. Pessoas próximas relatam que Wagner vê uma tentativa de acelerar sua saída antes mesmo de uma conversa definitiva com Lula.
A estratégia do senador também passa por diferenciar sua situação de casos em que integrantes do governo deixaram os cargos apenas após o avanço formal de investigações. Aliados lembram que o ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho só deixou o governo depois de ser denunciado pela PGR, argumento que tem sido usado para sustentar a tese de que uma mudança imediata poderia ser interpretada como uma admissão de culpa.
Fonte ==> Exame